★☾ ✿Gente - Miúda✿

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Era uma vez, uma garotinha que se chamava... Bora ler!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Horizonte

(Autoria: Fernanda)


Horizonte...
A menina ficava lembrando da conversa de um casal de velhinhos que descansavam sobre a areia da praia.
Ela fazia seus castelos todos os dias ali.
Eles comentavam sobre como é difícil sentir saudades. A senhora dizia que há muitos anos lembrava daquele encontro entre os dois, e que ao lembrar sentia uma certa nostalgia.
O senhor por sua vez, segurou-lhe uma das mãos e lhe disse beijando-a:
Não sinta meu amor, estamos os dois aqui juntinhos, fitando o horizonte.
Isso se chama Dádiva.
Ela ficou com aquelas duas palavras em sua cabeça. Achou-as tão bonitas.
(Horizonte e Dádiva)...

O que será que queria dizer aquilo?
Nisso o senhor levanta e deixa cair seus óculos sobre ela e depois ao chão.
Ele disse: oh minha pequena desculpe-me, não havia percebido você aí.
Ela - Não tem porque senhor, está tudo bem. Nisso juntou o óculos do chão e lhe devolveu.
Ele por sua vez disse-lhe: Que castelo mais lindo você fez minha criança.
Ela - Gostou mesmo?
Ele - Muito lindo, e o bom disso é que já tem uma princesa para morar nele.
Ela olhou em volta e seus olhos fitaram os olhos da senhora, então ela disse: Está bem pode ficar de presente para a sua princesa, ela merece.
Os dois riram-se e ela também.
Depois ele completou, estava falando de você... É... Como é mesmo que se chama criança?
Ela - Fernanda senhor.
Ele - Então Fernanda, a princesa desse castelo é você.

Ela - Não senhor, eu nunca serei princesa.
Ele - Porque diz isso? Você é uma criança tão bonita!
Ela - Obrigada senhor, mas para ser uma princesa precisaria ter uma origem, e isso eu nunca tive. Lugar onde uma pessoa ou coisa nasceu ou teve origem, quer dizer, tive mais não sei onde estão.
Ele - Sua mãe não lhe disse que mentir cresce o nariz?
Ela - Não senhor. Mas eu sei que não devemos mentir nunca, nunca!
Ele - Então não diga mais isso, porque sua mãe e seu pai podem ficar muito tristonhos com você, ouviu mocinha?
Ela - Sim senhor.

Ele - Quer uma água?
Ela – Sim, obrigada!
Então sua esposa lhe disse: Querida sente-se aqui debaixo do guarda-sol, já está tão vermelha. Sua mãe não lhe passou protetor?
Ela - Não senhora, mas já estou acostumada.
A senhora - Tenho receio de que tenha alergia, então melhor não passar, mas fique sentada aqui conosco, quando ela vir eu perguntarei.

Pausa... Ela não faz juízo de que minha mamãe não virá...
Então ficou olhando para o mar sem tirar o olhar, a senhora lhe interpelou: Em que pensas menina Fernanda?
Ela - Estou pensando no horizonte e na dádiva!
A senhora - Mas o que a faz pensar neles?
Ela - Eu queria saber o que significam, porque acho as duas palavras tão lindas.
A senhora então começou a falar do horizonte, que ele era uma ponte entre o céu e a terra.
Quando ouviu aquilo, ficou tão maravilhada.

Ela - Mas como faço para andar nessa ponte senhora?
A senhora - Basta olhar ao longe querida, como estava fazendo ainda há pouco.
Ela - Então eu estava andando nessa ponte?
A senhora - Sim.
Ela - Então todos os dias eu ando na ponte, porque fico rezando, ou lembrando dos meus amiguinhos lá do órfã.... Ops!

Eles se entreolharam, então a senhora perguntou: Querida, acho que sua mãe não virá não é mesmo?
Baixou a cabeça e depois balançou negativamente.
A senhora - E há alguém responsável por você, que esteja aqui na praia?
Ela - A senhora não explicou o que é dádiva!
A senhora - Está bem querida, não vamos falar nesse assunto. Irei explicar para você, o que quer dizer dádiva. É algo que ganhamos de alguém, um presente, uma graça divina, dinheiro para comprar algo que queremos muito como uma água, um sanduíche. Entendeu?

Ela - Sim senhora, eu ganhei agorinha mesmo a dádiva do seu esposo. Assim como ganho a graça divina de Deus todos os dias. Ele me deixa ver o sol, o mar, a senhora, o seu esposo, a areia que faço os castelos. Deixa-me correr pela praia, falar com ele, poxa! Eu tenho tantos presentes!
A senhora - Menina, você me emocionou. Sabe? Eu gostei muito da sua companhia, e gostei tanto que vou convidar você para almoçar conosco, e por favor, não diga que não.
Ela - Está bem eu não direi.

A senhora - Fernandinha, sendo minha convidada pode pedir o que quiser está bem?
Ela - Está.
O garçom chegou, olhou para ela no meio deles, apertou sua bochecha e disse: Aí Fernandinha, fez novos amigos?
Ela - Sim senhor Cláudio.
Cláudio - Muito bem! Ela é muito querida aqui na praia.
A senhora - Nós percebemos.

Cláudio - O que quer almoçar Fernandinha? O de sempre?
Ela – Sim, por favor.
Então ele trouxe café com leite e pão com manteiga.
A senhora - Mas isso não é almoço Fernanda, isso é café da manhã.
Ela - É que para mim são as duas coisas senhora, não se preocupe. Devo acostumar com o que posso e o que posso é isso aqui.

A senhora - Não estou entendendo, explique-se melhor.
Ela - É que se eu pedir outra coisa, posso gostar, e amanhã não posso comprar, e então vou ficar triste e isso eu posso. Cada castelo que faço na areia, eles me dão moedas, e daí venho aqui e almoço. Não se preocupe senhora, um dia vou ter a dádiva de comer outras coisas. Devo acostumar com o que posso ter.
A senhora - Mas nem eu pagando o que quiser comer?

Ela - Mas a senhora não irá pagar isto aqui?
A senhora - Sim, por isso gostaria que comece outra coisa.
Ela - Mas amanhã não poderei. Mesmo que eu fite o horizonte e fique na ponte, eu ainda não estou pronta. Agora preciso ir, obrigada pelo presente.
A senhora - Que presente minha querida?

Ela - Tudo que aprendi hoje, e conheci através de vocês. Que Deus os ajude mais ainda.
Então, ela satisfeita, seguiu para seu cantinho de descanso, pensando no horizonte e na dádiva.
Agora nunca mais iria esquecer palavras tão belas.
E quando estivesse na ponte, lembraria de mandar um beijo para Jesus, o seu amigo de todas as horas. E fitando o horizonte a menina chorou.



domingo, 30 de outubro de 2011

Cautela

(Autoria: Fernanda)





Meticulosa a menina seguiu na selva de pedra.
Rosto sujo de graxa,
Era prudência diante das noites nas calçadas.
Taciturna deixava sua mudez acarinhar a garganta.
Porque o véu que cobria o mundo,
Se desvendava para ela através de um anjo.
Ela - Anjo, você não dorme?
Anjo - Não menina, os anjos só cuidam e reverenciam a Deus.
Ela - Estou com fome, você não sente fome anjo?
Anjo - Sim, de oração menina.
Ela - Queria sentir fome de oração também anjo, mas as minhas palavras saem fracas, como quem apenas dança, sem o ponto certo do equilíbrio.
Anjo - Não menina, suas palavras são orações, e sua fome nelas é olhada bem do alto.
Ela - Então vou dormir, minha fome passou. Boa noite anjo.
Anjo - Boa noite menina.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dia "D"

(Autoria: Fernanda)

Hoje eu não sei o que digo de mim.
O que sinto aqui são miscelâneas, misturas de riso e tristeza.
O universo é todo isso, uma mistura do amor e do ódio.
Sei que o que amplia em maior quantidade é a escolha de cada um.
Os meus olhos sentiram o sal do mar, escorrer por eles sem timidez, e minha face banhou-se de desabafos interiores.

Como seria se eu tivesse podido estar com você?
Será que eu seria tola?
Sonhei-te de costas para mim, e eu correndo em tua direção.

Uma criança e seu amor imenso, eu fui aquela que esperou tantas noites em claro.
E pedia “mãe não me dê as costas”, mesmo sem saber dizer uma palavra.
Todas as crianças vêm com seu próprio manual, eu trouxe o meu.
Eu senti teu coração bater junto com o meu.
Fiquei na tua barriga e herdei parte de ti.
Teus traços com certeza são aproximados ao meu.

Eu era aquela que não pediu nada, não entendeu nada e nasceu com o brilho do sol presenteando a manhã.
Um grão de areia num novo e desconhecido habitat.
Alguém me guiou até o entendimento, mas não lembro esta parte.
Só lembro quando percebi que havia um brilho bonito no céu, e aí eu já tinha 4 anos.
Foi minha primeira descoberta e me esforcei para falar estrela durante um tempo, mas “estela” ainda persistiu ali.

A frieza das noites era maior sem sentir teu amor.
Eu nunca soube o que foi que aconteceu.
Eu não entendi os motivos, mas procurei a melhor saída para não doer tanto meu coração.
O gelo se fez nas noites de inverno e houve vezes que eu gritei em frente ao mar a palavra “mãe me busca aqui”.
Ambas viramos caçadoras de sombras, procurando o que nunca podíamos tocar.

Um dia...
Sempre dizemos esta palavra, para arrumar algo, ou piorar as coisas.
Mas para nós não foi bem assim.
Um dia vinha verde como se supõe a esperança, e dava continuidade em mim.
Assim quando uma estação chega, logo acaba e vem uma outra e outra, mas a saudade sempre fica carregada de força, e sei que durará para sempre.

Meus olhos caminharam mais depressa que minhas pernas.
Eles buscavam , intuição de filha nos rostos das ruas.
Fiz muito isso sabe?
Mas não soube saber...
Direção, quer dizer tantas coisas, mas eu só queria que dissesse o endereço.

A chuva cai tão meticulosa, me molha sozinha, você não está.
Nós poderíamos ser um belo plural, mas não conheci assim.
Eu fui sempre singular até o momento que o sol brilhou e clareou todo o cinza.
Então eu vi a luz de olhares preciosos, de abraços fraternos tão apertados que rumei para ali e fui morar naquele carinho.

Sua barriga quele lugar não era meu, só me guardou por um tempo, o tempo que você não teve controle.
Eu desenvolvi e vim conhecer o mundo.
Mais nunca diga que é tarde demais para algo, temos todo o tempo do mundo se for a vontade de Deus.
Eu fui uma criança alegre e cresci na mesma alegria.

Você fez bem em não se voltar, eu sei que isso era para ser assim.
E sabe? Eu sempre te amei.
E esse amor foi tão milagroso por dentro de mim.
Há tantas chances para as coisas boas.
Suspirei fundo muitas vezes, para impedir que as lágrimas perdessem o controle, e me molhasse inteira.
Mais sempre chega o dia D.
Então não mais esperei , fui caminhar dentro de outros corações.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Entendimento

(Autoria: Fernanda)
Senhor do alto Está aí?
Posso falar de olhos abertos?
É que quero enxergar teu carinho ,
junto com o sentir do meu coração.
Vou abrir os olhos hem?
Pausa...
Só a brisa passava...
Senhor do alto,
percebo melhor
com os olhos fechados.
Acho que minha fé, ainda não está madura.
Desculpa!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Possibilidades

(Autoria: Fernanda)

Cuida de mim?
-Claro meu amor.
Um último abraço e ela se fora, deixando uma criança num mundo cinza.
A criança? Seguiu reembolsada de amor pela vida.
Foi ser Fernandinha...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Coração

(Autoria: Fernanda)


Admirou o céu e sabia que lá dentro, existia um proprietário.
Ele comporta um grande jardim, e colhe aqui na terra suas flores.
E naquela noite Fernandinha chorou bem baixinho e pediu:
Senhor do alto pode por favor, fazer a moça lá da escola me aceitar?

sábado, 3 de setembro de 2011

Tragetória

(Autoria: Fernanda)


Era um dia de sol, desses que vem bem pertinho da gente com seu “bafo quente”.
Fernandinha havia amanhecido molinha, e ainda continuava deitada no “seu” banco de praça.
De repente chega um moço de farda e bate em suas pernas com força e diz: levanta daí menina, o que andou cheirado?
Fernandinha - Nada seu moço, apenas as flores do parque que vieram exalar seu perfume, elas vem todos os dias sabe?

Moço de farda - Que conversa é essa moleca, saia daí, antes que eu te leve ao serviço social.
Fernandinha levanta com esforço e fica de pé ao lado do banco.
Moço de farda - O que faz por aqui? Se te vir pedindo ou roubando, já sabe onde irá parar.
Fernandinha - Eu durmo aqui senhor.
Moço de farda - E onde estão seus pais?
Fernandinha - Podemos mudar de assunto?
Moço de farda - Já sei, seus pais estão por aí esperando você pedir dinheiro não é? Depois levar para eles, acertei?
Fernandinha - Não! Não acertou em nada.

Moço de farda - Seus olhos estão vermelhos, andava cheirando cola?
Fernandinha - Não senhor, não faço estas coisas, isso é errado.
Moço de farda - Vem cá, sente aqui.
Nisso o moço sentiu que a menina estava muito quente, então colocou a mão em seu pulso, sua face e perguntou: o que está sentindo?
Fernandinha - Minha cabeça dói, minha garganta também.
Moço de farda - Você está com febre garota, vá para casa, cuida!
Fernandinha olhou para o moço, dizendo somente para si: mas já estou em casa.
Depois, se pôs a caminhar em direção a algum outro banco.

Ela apenas queria ficar quietinha, para ver se aquilo que sentia passava.
Encontrou outro banco numa praça, onde havia muitas crianças brincando.
Ela ficou por ali, num cantinho do banco, rosto sujo de graxa e pés descalços.
Estava o mais quietinha que podia, para não incomodar ninguém com sua presença por lá. Geralmente sempre acontecia de alguém implicar. Pensando nisso e com a moleza que sentia no copinho todo, preferiu se encolher no banco e ficar apenas observando.
Uma senhora se aproximou e perguntou.

Olá menina! Qual seu nome?
Ela responde – Fernanda senhora.
Senhora - O que faz aqui nesse banco sozinha Fernanda?
Fernandinha - Estou precisando ficar deitada senhora.
Senhora - Está se sentindo mal querida?
Fernandinha – É só uma moleza, mas já vai passar.
Senhora – Você deveria estár brincando há horas, para estar toda suja desse jeito. Sua mãe não irá ficar irritada com você por isso?

Fernandinha fica quietinha pensando no que a senhora falou, olhou em volta e viu todas aquelas crianças acompanhadas, cada vez que uma escorregava havia uma moça segurando embaixo para que ela não se machucasse. Deveria ser bom sentir aquilo.
Nisso a senhora pergunta outra vez.
Está se sentindo bem querida?
Fernandinha - Por quê senhora?
Senhora - Está chorando, está te doendo alguma coisa?
Fernandinha - A senhora é mãe de alguma dessas crianças?
Senhora - Aquela ali de saia vermelha é Olivia minha neta.
Fernandinha - E aquela moça ali é a mãe dela?
Senhora - Sim é minha filha Sheila.
Fernandinha - Olivia deve sentir-se muito amada e feliz, tem vocês pertinho para cuidar dela. Se ela ficasse dodói, iria ter carinho, e cobertor para aquecê-la se sentisse frio. Eu fico feliz por ela.

Senhora - Mas sua mãe faria a mesma coisa com você querida.
Fernandinha - É eu sei. As mães sempre nos cuidam com muito amor. O Senhor do alto, é tão sábio, sabia exatamente que uma criança precisa de um anjo cuidador ao seu lado, por isso criou as mães e os pais.
Nisso a senhora tira um lenço da bolsa, molha numa garrafa com água, e se aproxima de Fernandinha.
Fernandinha ao vê-la derramando a água no lenço, engole a saliva com dor, estava com sede, mas o moço de farda disse que ela não podia pedir, se o fizesse ele a levaria para a assistente social. Então ficou quietinha apenas observando a senhora.

A senhora chegou pertinho dela, e começou a limpar a graxa que ela havia passado no rosto. A menina sabia que não devia deixar, mas a água parecia refrescar tão bom seu rosto quente.
A senhora espantou-se com a quentura de seu rosto, a tocou de novo no braço e disse: menina você está ardendo em febre. Por que não disse que se sentia mal?
Venha vamos até sua casa.
Fernandinha - Senhora estou bem, por favor!
Senhora - Vamos procurar sua mãe, venha.
Fernandinha - Ela não está aqui senhora, eu já preciso ir.

Senhora - Me diga onde mora, levamos você em casa. Chamou então a filha e a neta, e explicou a situação. A garotinha e a mãe lhe olhavam de cima abaixo, então a filha concordou e elas saíram com Fernandinha para irem encontrar sua mãe.
Nisso passaram em frente a uma igreja, então Fernandinha lhe diz.
Senhora pode me deixar aqui, daqui vou lá com minha mãe que está aí dentro.
Senhora - Está bem, então se cuide querida, nos vemos qualquer dia na praça está bem?
Fernandinha acenou que sim e entrou na igreja.
Antes, se voltou para vê-las indo embora, iam tão lindas as três.


Entrou na igreja, fez o sinal da cruz e se aproximou da imagem da Nossa Senhora.
Mãe do céu, eu vim aqui contigo, porque você é minha mãe, a única mãe que conheço por ser a mãe do Jesus nosso irmão.
Sempre venho aqui antes de ir ouvir o moço tocar a viola dele no restaurante, hoje acordei dodói, e acho que Deus já te contou o que aconteceu até agora, então passei aqui mais tarde. Mas hoje não vou lá assistir o moço tocar a viola, não me sinto bem.
Então vim atrás do teu carinho de mãe, mas como você está com Jesus nos braços, vou deitar ali naquele banco e ficar aqui contigo, já é o bastante.
Fernandinha deitou, dormiu e sonhou que Nossa Senhora a carregava também no colo.
Jesus de um lado e ela do outro.
O sorriso da mãezinha do céu era como o sol brilhante e claro.
O carinho dela era como se o coração sentisse uma alegria infinita.
E a voz dela chamando-a de minha menina, era indescritível.
Sempre estarei aqui, em qualquer situação.
Sou sua mãe do céu e nenhum dia te direi adeus.
Quando acordou, estava sem febre.
Foi lá pertinho da Nossa Senhora e agradeceu.
Mãezinha, obrigada pelo carinho, agora estou completa e curada.
Agradeceu novamente e foi ouvir a música e aprender a tocar viola.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Pedido

(Autoria: Fernanda)


A menina corria para a liberdade, na verdade ela nem entendia o que queria dizer aquela palavra. Só sabia que precisava sair dali e saiu.
Tudo parecia tão amplo agora, o que pensaria dona Rosa, quando não a visse no cantinho do castigo?
O frio da noite lhe abraçava tão forte, que ela mal conseguia andar, sentia fome, medo e solidão.

Aninhou-se por ali mesmo no chão e dormiu com a canção que o mar sabia fazer.
Mas a noite parecia não ter braços para lhe aquecer, e ela acordou tremendo.
Então começou a correr na areia para ficar com calor, mas não resolveu muito, pois sentia também sede, decidiu ficar mais perto do calçadão.
Ali sentou, chorou e perguntou por quê?

Senhor aí do alto, olha euzinha aqui embaixo.
Sou eu a Fernanda do orfanato, lembra?
Eu Fuji de lá, me diz fiz errado?
Sabe? Não quis errar, eu sei que não devemos fazer nada de errado, porque você não gosta.
É que lá eu não conseguia conversar contigo direito, e não podia olhar tua casa como gosto de fazer todo dia.
Pode me fazer um favor?
Queria que dona  Rosa sentisse amor tão grande, que nunca mais puxasse nenhuma orelha, ou jogasse a bolinha de gude.
Cuida dos meus amiguinhos também Senhor.

Você sabe tudo que penso e sinto, o padre falou na missa do amor eterno. Um amor que se doou por cada ser humano.
Foi por querer entender melhor que fui até lá no altar com ele.
Queria saber mais desse amor eterno, e ele me disse que seu nome era Jesus, e que você amava muito as crianças e todas as pessoas.
Então eu procurei saber mais de ti, e cada vez que eu sabia, mais me encantava.
Quando chegou naquela parte que cuspiram-lhe a face, e lhe bateram bem forte eu fiquei muito triste, e o senhor sabe disso.
Pensei que talvez fosse igual aquela dor do milho no joelho quando ficava de castigo.
O padre também falou que tudo que pedisse ao pai do céu em seu nome ele nos daria. Depois que soube disso venho pedindo em seu nome, para que ele arrume pais com um amor tão grande para cada criança que não tenha um.

Sabe Jesus? Um dia eu vou ser bem grande e cuidar de todas as crianças sem pais, vou amar bem grande cada uma delas e não deixar que chorem por doer por dentro.
Você doeu por dentro por causa da maldade né? Eu soube que mesmo a maldade te machucando você perdoava, porque você é amor.
Jesus, daí do alto dá para ver a Itália bem de perto?
A minha mãe Helena voltou para aí?

Porque eu não consigo pedir para mim, como peço para meus amiguinhos? Se eu conseguisse você mandava minha mãe de volta né? Mas não me sinto merecedora para pedir.
A dona Rosa disse que sou apoquentadora, e isso é uma palavra feia demais, e tenho receio de saber o que quer dizer. Mas se ela disse deve saber, porque me conhece desde que era um bebê.
Eu sei que você sabe o que eu pensei agorinha mesmo.
Que colocasse em dona Rosa um coração que apertasse como orelhas puchadas, toda vez que ela fizesse maldade. Mas só quando ela fosse má.
Que a Julinha consiga arrumar a cama de um jeito que a bolinha de gude role todos os dias, e que ela não sofra muito com minha ausência.

Se eu merecer, queria que ficasse bem pertinho de mim.
Sei que se estiver comigo, vou ficar sempre bem.
Hoje eu deixei meus pés tocarem o mar, ele me beijou os pés tão bonito.
Eu gosto do mar Jesus, obrigada por ele.
Agora vou apreciar o sol e você fica com Deus tá?

PS: Nada aqui é fictício

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A menina e o amor

(Autoria: Fernanda)


Era uma vez, uma garotinha que se chamava Fernanda.
Essa garotinha tinha sido criada num orfanato, um lugar que as pessoas adultas guardam seus filhotes por um tempo, ou deixam eles lá para adoção.

(Adoção funciona assim:
Uma moça que gosta muito de criança e não pode gerar seus próprios filhotes, vai lá, olha cada rostinho, se encanta com um deles, e gosta tão grande que quer ser sua mãe, e a criança gosta também tão grande dessa moça que quer muito ser seu filhote, e então em comum acordo eles passam a ser um do outro como mãe, pai e filho de verdade).

Nesse lugar, Fernanda era a única criança, que não queria ser adotada. Ela se escondia quando via chegar os casais que queriam conhecer as crianças.
Porque ela fazia isso? Bom...
Primeiro porque ela tinha a certeza que seus pais iriam voltar para lhe buscar, e sendo assim, as outras crianças que estavam na vez, podiam ser escolhidas com maior rapidez.

Certa vez no natal, as crianças faziam pedidos do que queriam ganhar. Depois colocavam debaixo da árvore e iam se deitar.
Todos mencionaram vários brinquedos, de tudo quanto era jeito.
Bola, boneca, jogo de cozinha, raquete de tênis, enfim, vários brinquedos foram citados.
Fernandinha como era chamada por lá, pediu seus pais de presente.

Nessa noite ela nem conseguia dormir de tão ansiosa.
Foi lá e deixou dois pares de meia engatados na ponta da árvore, um era para seu pai e o outro para sua mãe.

Mas será que eles irão caber aí dentro?
Acho que sim, o papai do céu pode fazer tudo que quiser, e pode deixar o meu papai e minha mamãe bem pequenos e depois esticar eles.
Então constatou que as meias estavam bem posicionadas e foi se deitar.

Logo pertinho do nascer do sol, não resistiu ao cansaço e dormiu.
Mas o horário do sino soara, e o barulho era ensurdecedor.
Ela meio sonolenta esqueceu-se de arrumar do jeito certo sua caminha que dividia com outra coleguinha.
Naquela manhã Fernandinha correu para a sala com todos seus amiguinhos.
Cada um havia ganhado o brinquedo almejado.
Ela então abraçou seus coleguinhas e saiu no meio dos brinquedos, procurando o seu presente.

Lá estava o par de meias um ao lado do outro, mas não havia nenhum pai e mãe grudados neles.
Ela chegou pertinho, abriu, olhou por dentro, balançou para ver se caia alguma coisa e nada!
Então ela saiu bem silenciosa e voltou para o quarto, sentou-se pertinho da janela e olhou para o céu.

Senhor do alto, desculpa se eu não pedi direito ontem.
Acho que não falei as palavras certas e o senhor diante de tantos pedidos não entendeu o meu. Eu pedi meu pai e minha mãe de volta aqui dentro dessas meias.
Olha! Elas estão vazias.
Nisso entra dona Rosa e pergunta a ela.
Fernanda como pode não ter arrumado sua cama?
Quais são as regras, diga-me?

Fernanda - Arrumar bem arrumado, puxar o lençol e depois jogar a bola de gude, se rolar está bem arrumado, se não rolar fica o dia inteiro de castigo.

Dona Rosa - Exatamente. Jogue a bolinha de gude.

Fernandinha joga a bolinha e ela não rola.
Dona Rosa - Então levante-se do chão, arrume a cama direito e vai para o canto do castigo.

De lá consegue enxergar a pontinha do céu e das nuvens.
Com os olhos marejados fica de cabeça baixa e as lágrimas começam a pingar em sua perninha, até formar um laguinho pequeno, ela enxugava e lá estavam novamente as lágrimas.

Sentia uma dorzinha por dentro, massageava com a mão o lugar, mas parecia que lá dentro havia uma ferida que doía e doía.
Ouvia porém, a animação dos seus coleguinhas, todos estavam felizes e era isso que importava.

Depois aninhou a cabeça perto da parede e ali dormiu e sonhou.
Sonhou com um lugar cheio de flores e que um menino com lindas asas vinha bem pertinho dela e lhe perguntava.
Fernanda quer morar aqui?
Ela - Eu vou ter asas também?
Ele riu e depois lhe disse: não. Mas se quiser morar aqui, eu vou cuidar muito bem de você.
Ela - Mas esse lugar é longe dos meus amiguinhos?
Ele - De certa forma apenas. Mas deve ser muito obediente, para que eu possa cuidar da melhor forma de ti.
Ela - Está bem.
Ele - Saiba: todas as dificuldades que passar, se puser amor no meio, tudo ficará bem.
Ela - O que quer dizer d i f i c u l d a d e?
Ele - Problemas.
Ela - Também não sei o que é problemas.
Ele - Cada lágrima que fizer doer teu coração, isso é chamado também de problemas.
Ela - Ah!
Ele - Lembre-se Fernanda, o amor é a arma mais poderosa de todo o mundo e é sua arma na saída deste lugar até sempre.
Ela - Sim.

Ela - Menino que voa, quem é você?
Ele - Sou o teu anjo da guarda, e sempre estarei ao teu lado.
Ela - Então vamos morar juntos?
Ele - Desde que você nasceu moro contigo, fui criado para te proteger.
Ela - Mas você foi criado onde?
Ele - Fui criado por Deus.
Ela - E eu?
Ele - Você também foi criada por Ele, um pouco diferente de mim.
Ela - Por isso eu não tenho asas?
Ele - Risos... Sim menina. Tuas asas moram no teu coração.
Ela - Então não posso nem rir muito, se não ele pode voar?
Ele - Risos... Ria o quanto quiser Fernanda, suas asas nunca irão embora.

Ela acorda, e em volta percebe que já se fazia noite, as crianças dormiam.
Mas onde estava dona Rosa, que não a tirou do castigo?
Então levanta e vai novamente à sala olhar a árvore.
Nisso sente uma dorzinha na orelha, era dona Rosa, que a fez voltar outra vez para o castigo.

Naquela noite, ninguém merecia ser castigado pensou.
Pegou suas lembranças e olhou para os amiguinhos, se despediu e fugiu.
Não olhou nenhuma vez para trás, apenas queria ir muito além, lá no lugar daquele sonho do anjo.


PS: respondendo a pergunta de Erico.
Querido, TUDO que escrevo em meus blogs eu vivi.
Nada é fictício.
Mimha imaginação não alcançaria tanto.