★☾ ✿Gente - Miúda✿

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Era uma vez, uma garotinha que se chamava... Bora ler!

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Então venha o Natal

(Autoria: Fernanda)
Imagem: net


Enquanto o bom velhinho fica subindo escadas nos parapeitos das casas, levando imaginação e sonhos a muitas crianças, os adultos se satisfazem com aquele boneco de roupa vermelha enfeitando seus lares. Ali na sacolinha do pai Noel, a cor verde-esperança não há nada. Os presentes almejados estão na capacidade de cada um enchê-la com cada item que acredita.

Papai Noel para mim era um nome que dei a Jesus quando era pequenina, depois de muitas vezes esperar o bom velhinho chegar nas madrugadas de natal lá no orfanato e depois nas ruas, sem êxito. No orfanato, eu pensava que ele não havia achado o nosso lar, porque não havia aquelas luzinhas piscando na sacada, por isso desviava sempre da nossa porta. E nas ruas era porque no meu canto de dormir não havia nem paredes, nem janelas e muito menos porta.

Um dia enquanto assistia um coral na praça, eu vi aquele homem de barba branquinha e roupa vermelha, sentado numa cadeira e muitas crianças indo até ele. Percebi que ele apenas as abraçava e lhes dava uma bala, fiquei confusa... Ele sempre era o homem de grandes presentes, mas vai ver ele já havia distribuído antes, e aquele momento era apenas dos abraços.

Passei as mãos nos cabelos, tentando ficar bonita, a mão no rosto para tirar a graxa e não sujá-lo, mas não consegui tirar tudo, então com um sorrisão bem grande fui passando pelas pessoas, e como se fosse alguém importante entrei na fila e me direcionei ao bom velhinho. A fila para chegar até ele estava pequena, ele já havia distribuído muitos, muitos abraços, faltava ainda três crianças e eu era a última das três, mas a fila já crescia outra vez detrás de mim.

Uma senhora então me tocou no braço quando só faltava mais uma menina que já havia ido, e eu era a próxima. “Menina vá lá para o final da fila, não percebe que irá sujar o papai Noel com essa lama”?
Eu - Não moça, eu quero só pedir um presente eu nem vou beijá-lo.
Ela - Olhe tome essa moeda, e vá comprar o que você gosta de usar.
Eu - Pode ser depois?
Ela - Agora!
Eu - Então obrigada, eu uso a janta depois, vou primeiro pedir um presente pra mim.
Ela - m e n i n a, vá para o final da fila, não percebe que todas as crianças estão limpas? Sai!
Saí da fila e fiquei ao lado, e a próxima menina foi para ganhar o abraço que poderia ser meu. Fui até um chafariz e passei água no rosto e nos cabelos, então sentei no meio fio e fiquei olhando, as meninas limpas abraçá-lo. De repente uma voz doce e terna afagou minha cabeça e disse: Você vai mesmo ficar sentada aí, sem seu presente? Olhei para cima e ele parecia a bondade em forma de pessoa.
Eu - mas estou suja!
Ele - nunca vi alguém tão limpa.
Eu - verdade?
Ele - sim.
Eu - então vou esperar ele abraçar logo todo mundo e depois vou lá.
Ele - mas e se os presentes acabarem?
Eu - o meu nunca vai acabar. Ele sorriu e me ajudou a levantar, então retornei outra vez à fila. (É, eu sempre fui persistente rsrsr)

Então outra vez já estava perto, quando uma garota atrás de mim me diz: hei menina, você deixa eu ficar na sua frente? Eu troco o seu lugar por um sorvete quer?
Eu - não obrigada! Então ela puxou meu cabelo e ficou puxando, me beliscando, mas eu precisava pedir um presente e fiquei suportando a dor. As lágrimas caiam dos meus olhos sem que eu pudesse fazê-las pararem, tudo aquilo me doía muito, mas eu precisava chegar até ele.
Então quando já era a minha vez, e eu caminhava para lá, ela deixou seu pé na frente da minha perna e eu caí. Ela passou à frente e eu levantei, enxuguei meu rosto e saí quando o papai Noel me chamou. O susto foi imenso, ainda olhei para os lados e ele disse: É você mesmo, vem cá meu anjo. Limpei minha roupa com as mãos, o cabelo e fui toda alegria para ele.

Ele - bom amiguinha, eu estava aqui vendo todo seu esforço de chegar até mim desde a primeira vez que entrou na fila.
Eu - é?
Ele - sim!

Então me sentou em seu colo, tirou meu cabelo do rosto e me beijou a testa. Depois segurando minhas duas mãos e olhando em meus olhos e bem dentro deles, ele perguntou: porque quis vir aqui?
Eu - para pedir um presente.
Ele - e qual seria este presente menina?
Ela - então não sabe meu nome?
Ele - Se você quiser me dizer...
Ela - Sim, primeiro meu nome é Fernanda, acho que até é por isso que o senhor não me achava né?
Ele - talvez. Mas me diga Fernanda, o que quer de presente?
Ela - minha mãe e meu pai.
Ele - então você não os tem?
Eu - Tenho lá no céu, mas Deus nos dá um aqui na terra também, e eu tive, mas é que minha mãe me deixou lá no orfanato por uma semana quando eu era bem pequenina, e não aprendeu mais o caminho de ir me buscar. Então eu queria que você tirasse daí de dentro da sua sacola mágica, eles e me desse de presente hoje, é só isso e mais nada por favor.
Ele me abraçou demorado e disse com a voz diferente, uma voz de nó na garganta, como eu sempre fazia quando não queria chorar. _ De toda certeza que tenho no meu coração Fernanda, você vai achar seus pais. Eu não os tenho aqui comigo, mas você sim. Então lhe perguntei: eu?
Ele - sim aí dentro do seu coração, mas haverá um dia em que eles estarão também aqui fora, partilhando os natais com você e tudo mais, você acredita?
Eu - sim!
Ele - então esse será seu melhor presente, vou encaminhar todos os dias uma cartinha para o papai Noel que pode tudo e ele te dará com certeza esse presente.
Ela - tá bom, então pode me dar um abraço?
Ele - um abraço, um beijo, esse chocolate e minha eterna amizade.

Saí de lá com meu coração tão feliz, parecia que havia ganho um presente que acalma a alma.
Fui para a beira da praia, e a lua estava bem redonda. Ajoelhei e pensei: papai noel que pode tudo? Já sei! Ele estava falado do Senhor do alto.
Então é papai Noel também né? Só que de todos os dias, sem ser só dos natais. Porque nos natais você não pode. Está nascendo nos corações das pessoas.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Amor

(Autoria: Fernanda)
Imagem: net


Oi Senhor do alto, vim parabenizar o teu filho e meu irmão Cristo.
Obrigada por tê -lo mandado aqui na terra, nos ensinar amar.
Sei que se ele não tivesse vindo, o mundo estaria feio de mais porque os homens seriam mais arrogantes, e menos humildes.
Um dia eu conheci a indiferença bem de pertinho, mas também conheci a humildade e a igualdade. Então decidi que para cada ato ruim eu buscaria dois bons, e assim poderia segurar de um lado, e outro a palavra ruim com coisas boas, e seria como um abraço de Deus, e então aquele ato ruim não teria forças para enraizar na vontade da gente. Assim poderíamos optar por ser bons, mesmo que em alguns momentos ficasse difícil.
Eu cresci um pouco e estou aprendendo a ser mãe e esposa, como aprendi a ser filha e irmã, mas ser irmã eu já sabia né?
Parabéns Jesus, por teu aniversário.
o presente que eu te dou é  minha gratidão e amor eterno. somos valiosos para ti, porque tu és AMOR.
Na nossa casa (lar) que também é o teu, estaremos reunidos com uma linda oração.
O que o Natal significa para a Fernandinha?
Amor, humildade, misericórdia,  respeito, carinho e união

FELIZ NATAL!
Fernanda.

sábado, 22 de março de 2014

Natal

(Autoria: Fernanda)
Imagem: Net



Natal, o que quer dizer?
Quando eu era criança, comecei a sentir que nessa aproximação do natal, as pessoas ficavam mais alegres. Visitavam muito as lojas, enfeitavam a casa, parecia uma festa.
Se era uma festa, alguém fazia aniversário, mas quem exatamente?
Todas as pessoas?
Todas as casas, prédios e ruas?
Eu particularmente sentia uma renovação na alma, porque presenciava mais carinho entre as pessoas.
Um dia sentei-me no meu habitual cantinho e presenciei um menino, saindo chorando e batendo os pés de uma loja, logo em seguida sua mãe chegou para acalmá-lo.
Pediu que não fizesse aquilo, pois só quem haveria de lhe dar o presente era o papai Noel, na noite de natal.
E que se ele ficasse daquela forma, o bom velhinho não o iria visitar.
O menino continuou emburrado, mas ela pediu que o motorista ficasse de olho nele, e entrou novamente na loja.
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Eu - Menino, você está triste?
Ele não respondeu, apenas me olhava, depois de um tempo falou.
Menino - Por que seu rosto está sujo?
Eu - Porque preciso me proteger.
Menino - De quem?
Eu - Da maldade que mora nas ruas.

Menino - Quer um?
Eu - Não obrigada.
Menino - Não gosta de balas?
Eu - Não sei o sabor.
Menino - Então prova, irá gostar.
Eu - Se eu experimentar e sentir o sabor, vou sentir vontade de comer outra qualquer dia, e se eu não puder comer vou ficar triste, se eu não souber que gosto tem não vou desejar.
Menino - Você é estranha.
Eu - Eu sei...

Menino - Quer entrar e lavar o rosto?
Eu - Não.
Menino - O que vai pedir de presente no natal?
Eu - O que é o natal?
Menino – É dia de ganhar presentes, comer bolo, rabanada, dormir tarde, juntar a família e cear.
Eu - Gostei da parte de juntar a família.
Menino - E dos presentes?
Eu - Mas quer presente melhor que ter uma família?
Menino - Então você deixa uma carta na árvore de natal e espera o pai Noel trazer o presente.
Eu - E podemos pedir qualquer coisa?
Menino - Qualquer...

Eu - Não é papai do céu não?
Menino - É Noel!
Eu – Por que chorava ainda há pouco?
Menino - Porque queria um presente novo, já enjoei dos meus.
Eu - Então por que não doa seus brinquedos que já não gosta?
Menino - Porque são meus oras.
Eu - Mas quando não precisamos mais de alguma coisa, e o outro não tem, damos a ele.
Menino - Quer meus brinquedos enjoados?

Eu – Não estou falando de mim, estou falando de um orfanato, uma favela. Um lugar onde as pessoas pudessem ganhar sem esperar, entende? Elas quase não ganham brinquedos, e o brinquedo para uma criança é um alimentar de sonhos, que mais tarde podem realizar-se.

Se uma menina ganha uma boneca, vai deixar fluir o que sua mãe passa a ela, a mãe por sua vez pode melhorar seus atos diante do tratamento do filho, pela dica da criança, que se espelha nela e assim vai.
O brinquedo é um abrir de coração e de mente.
O que uma criança sente, reflete na sua maneira de brincar.

Menino - Não entendi nada, você é muito estranha...
Eu - Estranha é a maneira que você tem de ver o natal. Se é para comemorar o natal, vamos comemorar 
o AMOR entre as pessoas, as árvores, as flores, os bichos, as estrelas do céu, a amizade... O que acha do frio?
Menino - Não gosto.
Eu - Se alguém lhe pedisse um agasalho para passar o frio, você daria?
Menino - Talvez...
Eu - Quando sua mãe lhe negou o presente doeu?
Menino – Sim, fiquei bravo.

Eu - Doeu ou ficou bravo?
Menino - As duas coisas.
Eu – Sabe o frio que sente mesmo agasalhado em dias de chuva?
Menino – Sei, não gosto de frio.

Eu - Então pense numa pessoa nessa mesma chuva, só que sem nenhum agasalho. Sabe quantas vezes dói? Eu digo. 70x7, dói igual à lei do perdão. Há muita responsabilidade em saber perdoar.
Então não desrespeite o que Deus te deu com amor.
As crianças que vivem em orfanatos, os velhinhos que vivem em asilos, crianças que vivem nas ruas, Ele também ama, mas por um motivo que só ele conhece, precisaram nascer sem conforto nenhum. E assim alguns agradecem mesmo sem entender.

Menino - Não entendo o que diz menina. Você é estranha...
Eu - Eu sei, e você já disse isso... E infelizmente você não é um bom aprendiz.
Eu - Preciso ir, até...

Passaram-se alguns dias, e eu com o natal na cabeça.
Então entrei na igreja, e depois da missa, perguntei se o padre podia conversar um pouco comigo. Ele balançou positivamente a cabeça e fomos, para um banquinho lá no final.

Eu - O que quer dizer natal padre?
Padre - Quer dizer Jesus Cristo filha. O natal é o dia em que Jesus nasceu.
Eu - Então é festa dele?
Padre - Sim. Mas algumas pessoas, talvez a maioria delas, não acredite nisso.
Eu - Fiquei feliz de saber, agora preciso ir.
Padre só mais uma coisinha, o AMOR nasceu, então por que existem tantas guerras?

Padre - Porque o homem, não avaliou ainda o tamanho da paz.
Eu - Então não é dia do papai Noel, é dia do papai do céu!
Padre - Sim filha.
Eu - Já sei onde vou por minha cartinha de natal, obrigada senhor padre.
Padre - Não quer pão com café Fernandinha?
Eu - Obrigada, mas a minha fome passou, quero olhar lá fora e agradecer a Deus pelo natal.
Padre - risos... Afagou a minha cabeça e ficou me olhando com ternura, vendo eu me afastar.
Fui para o parque, sentei e fiquei olhando tudo enfeitado. A noite chegou e eu continuava por lá. Estava encantada com a noite, as estrelas, e o céu.

Senhor, percebi agora que para Ti, o natal são todos os dias.
Eu tenho uma cartinha aqui comigo.
O papel estava num caderno, que eu peguei no meio do lixo, mas há muitas páginas limpas, e eu escolhi a mais limpinha, nem amassado tem. E sei que para ti o que importa, é a verdade nela.
A caneta foi seu Roberto quem me deu, o dono da loja de artesanato, lá perto da praia. Sabe quem é né Senhor? Aquele que era filho da dona Rosa da floricultura.

Bom... Como o padre disse que tu sabes de todas as coisas, até aquelas que estão bem escondidinhas dentro da gente, então sabe de quem eu falo...
A minha cartinha vou deixar aqui, no meio desse jardim, molhada pela chuva.
E na cartinha havia:


Senhor ensina o mundo a amar.
Dá meios para que as pessoas possam estudar, trabalhar, e semear.
Ajuda aqueles que não podem falar, com algum jeito fácil que o outro possa entender suas necessidades.
Faz todos os corações refletirem sobre o que é se amar e amar o outro.


Que as crianças sejam amadas independente de classe social, cor, ou credo.
Que as mães só engravidem de uma criança, quando puderem lhe dar a atenção merecida.
Que o trabalho do homem não venha em primeiro lugar que sua família.
Que a ternura seja sempre a porta para vencer a zanga.
Que nunca falte pão com manteiga e café com leite. Ah, e empada também!


Que o amor espalhado no mundo seja da forma que cada um precise sentir.
Que nunca nos abandone, mesmo que te deixemos triste.
Que o perdão seja tão forte que apague as nossas falhas tão grandes.
Que você seja sempre o talismã tatuado no meu espírito, porque sem você, eu não conseguiria ser, amar, semear.


Senhor quando pensava no natal, eu sabia que tinha algo muito precioso, como um tesouro que eu ainda não havia descoberto. Mas ele não era só compras, e festas como eu via e as pessoas diziam.
As estrelas fazem festa no céu, e nesta data o ar ganha um cheiro de amor, e mesmo sem se dar conta agente sente.


Numa flor há sentido seu existir, mas não há sentido nas lágrimas de tristeza.
No entanto elas molham rostos.
Senhor, você deve ficar tão triste quando escolhemos errado.


Sabe Senhor? Um dia se você permitir, vou conhecer a torre Eiffel, mas queria conhecer numa noite de natal. Um dia eu sonhei que iria encontrar minha mãe por lá. Sei que foi apenas um sonho, mas já que estou escrevendo uma cartinha, coloquei meu sonho. Mas se eu não conhecer a torre, não vou ficar triste, porque o caminho que você já tem para mim é o caminho certo, e eu caminho por onde você guiar.


Agora eu sei o que quer dizer o natal...
Quer dizer amar, suportar, resignação, confiar, doar, alimentar, abrigar.
Obrigada Senhor por ter nos mandado seu filho.
Por ele ter ficado entre nós com humildade e amor.


Sabe Senhor? Que este natal seja de agradecimentos, de reflexão...
Você tem ideia de como precisamos agradecer e refletir não é?
Eu sinto uma alegria tão bonita, eu sinto felicidade na alma.
Obrigada por eu não ter receio de demonstrar o meu amor pelas pessoas.
E o bom é que você sempre saberá sobre os nossos sentimentos.


O natal é transparência, trazer para luz o que estava escondido.
Porque você é verdade e eu te amo.
E eu aceitei esse presente como um milagre.
Porque tudo que amedronta é nada com tua presença.
Você é meu natal todos os dias.


Obrigada!.

Agora já vou, eu sei que a chuva é um milagre teu. Minha carta está em boas mãos.
Dentro do meu coração há estrelas brilhando por toda parte da Terra.
Há um sino tocando, e os anjos dizendo amém para as orações de paz.
Há uma pergunta tendo resposta em cada lágrima que cai numa face desesperada.
E se você me perguntasse o que mais desejo nesse momento, eu diria sem hesitar que é amor e paz.
Porque o amor nos conduz, e a paz é sua alma gêmea.
Um dia...
O natal irá ser como sempre foi, mas ninguém percebeu.


Há uma pergunta tendo resposta em cada lágrima que cai numa face desesperada.
E se você me perguntasse o que mais desejo nesse momento, eu diria sem hesitar que é amor e paz.
Porque o amor nos conduz, e a paz é sua alma gêmea.
Um dia...
O natal irá ser como sempre foi, mas ninguém percebeu.

Fernanda



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