★☾ ✿Gente - Miúda✿

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Era uma vez, uma garotinha que se chamava... Bora ler!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Helena

(Escrita no dia numa quarta feira, 25 de abril de 2012)
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Mãe, hoje conheci alguém que lembrou a mim, quando tinha sua idade. Uma menina corajosa, ela se chama Liana. Ela estava sentada no meio-fio de uma escola, cabeça baixa e pé descalço. Eu ia passar, mas quando a vi, decidi ficar parada num cantinho observando. Ela levou as mãos para o rosto, enxugou as lágrimas e depois coçou os dois olhinhos, levantou e se aproximou de uma senhora que segurou a bolsa assim que a garota falou com ela.

Num sinal negativo continuou caminhando, a menina novamente sentou.
Caminhei até ela e lhe dei boa tarde. Ela ficou me olhando e depois sorriu timidamente. Afaguei sua cabeça e perguntei o que uma mocinha tão bonita fazia ali, sentada no meio da rua.

Ela me disse estar com fome. Perguntei se ela queria um sanduíche bem recheado, e os olhos e a boca sorriram diante da proposta. Fomos até a lanchonete à frente, e logo ela saboreava o lanche, com gosto. Ela é catadora de lixo, e estava esperando a avó que fora buscar algumas garrafas de pet numa residência. Estava sem café da manhã e almoço.
Fiquei refletindo enquanto a olhava, e lembrei de mim lá atrás quando vivia nas ruas.

Liana me disse o seu nome e perguntou o meu, achou meu nome muito bonito e nós duas ficamos ali uma elogiando a outra rsrsr. Cada elogio meu, ela vinha com outro em seguida para mim, que gracinha. Deixei-a com sua avó que chegara, e fui para o ponto de ônibus.

Sabe mãe? Como será que você é? Será que usa óculos, ou o cabelo preso? Será que gosta de flores, ou de banhos na chuva? Eu sonhei tanto com você... Eu acho que quando penso em ti, você sente. Quando eu era menor, eu me abraçava e imaginava os seus braços em volta de mim, eu sentia você me abraçar e dizer: “filha eu sinto muito”.

Mas a chuva caia e o sol brilhava, a noite chegava e o dia nascia. Céu e mar se uniam para acalentar um coraçãozinho ferido. Aquela menina continuava sozinha a cuidar de si.

Eu fiz uma lata de skol de boneca, ela era a minha filhinha, eu a carregava para a beira do mar, para lhe contar contos que eu quis ouvir, e fazê-la dormir. Batizei-lhe de Helena o nome que é teu. Helena dormia em meu colo, para abrigá-la do frio imaginava uma menina feliz em meus braços e protegida.

Dava a ela o que eu queria ter. As noites eram longas na maioria das vezes. Numa noite um menino chutou Helena para dentro do mar, enquanto eu procurava um papelão para fazer de cama para nós. Eu não consegui tirá-la de lá, porque ele a havia enchido de areia molhada antes de fazer seu procedimento.

Naquela noite eu muito chorei, parecia que o mundo estava desabado por dentro de mim, me senti sozinha, cansada, jogada, um lixo. Mas um senhor que estava assando um peixe numa barraca, me ofereceu um pouco, e se importou com minhas lágrimas. A ele eu contei sobre Helena e o que o menino fizera.

Ele me disse que: o céu durante o dia é azul, mas muitas vezes ele muda de cor, as nuvens guardam vários desenhos, basta olhar e admirar. E Deus, aquele que sabe todas as coisas, um dia iria me mandar a mais linda boneca, e eu iria saber amar e cuidar com meu coração.

Eu lhe respondi, mas vai demorar? Ele disse: no tempo certo. Nunca ganhei a tal boneca, mas me alegrava em lembrar suas palavras.
Fui crescendo e muitas coisas aconteceram, algumas tristes, outras alegres, mas com elas fui aprendendo a viver dentro do amor. Vejo-me uma pessoa bem simples, mas carrego comigo a confiança, fé, coragem, e igualdade.

Logo estará chegando o dia das mães, eu já tenho uma maravilhosa mamãe sabe? Mas não poderia deixar de escrever também para você. Sou muito grata por ter permitido que eu nascesse, abaixo de Deus, e não ter me jogado em um bueiro e nem na lixeira.

Pelas conversas que tivemos, mesmo que dentro da minha imaginação, elas me ajudaram muito. Eu me aqueci dentro delas com paciência, e era a filha desejada para ti. Também eu podia voltar para casa, sonhar era mais fácil e eu sonhei e sonhei...

Saiba: Deus e você sempre foram o abastecimento para me fazer seguir à diante. Meu coração vivia lançado ao amor em cada segundo. E a tristeza passava quando eu via uma criança sendo afagada, eu pensava que eu também podia sentir aquela honra, mesmo não sendo em mim.

Mãe, um dia eu esqueci o meu nome, porque passei muita fome e fiquei doente. O médico disse que estava em estado de choque. Mas a memória não falhou quando eu ouvi a palavra mágica “filha”. É que eu queria tanto ser filha. Eu te esperei, te procurei... No orfanato, você não voltou, nem no “meu” banco de praça você não sentou, e na minha porta você não bateu. Mas não se preocupe, há alguns sonhos que não se realizam, e esse eu apenas aprendi a sonhar, sabia que seria impossível realizar.

Neste momento olho para o céu e peço para que cuide e proteja você. Minha mãe Cris sempre ora por ti também, ela é doce e terna, e ama muito a Deus. Desculpa mãe se às vezes eu sinto que você está triste e que lembra de mim, sinto muito por não termos ficado juntas. Mas eu sempre vou ser parte de você e você de mim. Pacientemente eu vou continuar te amando. Te amo muito mamãe.

Queria te dizer também que abriguei dentro do meu coração um moço lindo. A essência de um menino, num coração de um homem. Só o amor é capaz de dividir-se assim. Felipe vem se distendendo por mim e eu sei disso. Ele meu príncipe, caminha agora comigo na mesma estrada, é um presente dos céus, é amor eterno.
Meu amor, obrigada por cuidar de mim tão bem!
Mãe até um dia.



(Autoria: Fernanda)

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

✿ Mãe



Era uma vez uma menina de rua...
Uma menina que não tinha um esteio seu...
Era uma vez um vazio querendo ser preenchido, era uma vez!
Um dia apareceu uma fada e se apaixonou por mim e eu por ela, foi amor de primeira. Ela queria saber como eu estava, como fora meu dia e ambas não conseguíamos ficar por muito tempo longe uma da outra. Perguntei seu nome e ela me disse é MÃE!
Daquele dia em diante o amor absoluto fez morada em nós.

(Autoria: Fernanda)
Imagem: net

Desde o princípio



Sabe? Eu tive que decidir muitas coisas bem cedinho na vida. E muitas vezes decidir é uma escolha difícil demais, principalmente quando você começa a escolher tudo tão cedinho.
Muito pequenina eu optei por liberdade, eu optei por olhar o céu do lado de fora, sem amarras, sem castigos, sem hesitação. Talvez eu tenha dado uma passada muito alta para o meu tamanho naquele dia, mas tenho certeza que um anjo me segurou as mãos e caminhou comigo durante a minha vida inteira, porque fui bem protegida e eu sabia e sentia.

Naquele dia foi um novo (dar início) na minha história. E eu fitei o céu com um desespero na alma. Lembro que ajoelhei diante do mar, juntei as mãoszinhas e disse: Senhor do alto, sou eu a menina do orfanato que divide a cama com a Julhinha, e que fica pedindo para o Senhor arrumar pais carinhosos para os meus amigos.
Eu nem sou boa em oração, mas com todo o carinho eu lembrei que o padre lá da igreja disse que se a gente pedir no nome do Jesus, você atende. Eu queria dizer que eu ia gostar tão imenso, se você cuidasse de mim mais do que cuidava lá no orfanato. Porque eu gosto tanto de você que chega a doer o meu coração.
Aqui fora podemos conversar sem janelas, e sem puxões de orelhas, ou ajoelhar no milho, não é maravilhoso? Eu também acho!

Naquela noite eu dormi perto de uma rocha e não senti medo algum e nem nas outras. Daí comecei a viver coisas incríveis, conheci pessoas, aprendia a cada dia a crescer com amor e sabedoria. Porque Deus já habitava um espaço tão grandioso no meu coração, ELE, minha poesia mais rica!

Eu poderia dizer que vivi sozinha nas ruas, mas eu sentia que nunca, em nenhum momento estava só, eu tinha aquele céu tão bonito e o sol iluminado o dia. E a noite, as estrelas e a lua para me encantar. E mesmo a praia ficando deserta, o meu cantinho era um paraíso.
Meus amiguinhos de rua, sempre diziam que eu não era lá muito certa, porque falava sozinha rsrsr. Mas eu lhes dizia que não estava sozinha estava conversando com Deus.
Um dia um amiguinho me perguntou: Fernanda, se conversa com Deus o que ele te fala e como ele fala?
E eu lhe respondi que ele falava em meu coração e eu entendia tudo. Cada vez que as estações mudam, ele dá uma chance ao homem para modificações, porque ELE pode todas coisas e os seus planos são diferentes aos do homem. Eles não entendiam e eu não continuava a insistir.

Sentia fome de aprender, precisava beber daquelas palavras que meu coração jorrava, mas eu não sabia ler nem escrever, e como é que eu iria conseguir aprender se não sabia por onde começar?
Então como Deus é sábio, tudo acontece no seu tempo certo e com seis anos eu já escrevia e lia, mas esta é outra história que já contei.

Então o obstáculo maior seria arrumar um caderno e um lápis. Eu arrumei folhas soltas e limpas numa lixeira, muitas vezes é no lixo que aprendemos a ser sábios. Não sou sábia, vivo num constante aprendizado. Só os tolos dizem saber tudo e na verdade não sabem coisa alguma.

Amar é algo muito grandioso. Se analisarmos bem, o homem se quisesse viveria na mais bela harmonia entre si. Amar é unguento às feridas da alma. Tudo passa a seu tempo e tudo tem o seu determinado momento para acontecer. Eu sempre acreditei nisso.

O sol brilha sob a vontade do Pai, e a chuva chora na terra por essa mesma vontade. Muitas vezes o homem não entende porque em alguns lugares são cobertos pela a água ou terremotos, mas a sabedoria eterna sabe cada motivo. E sua voz se faz ouvida nos quatro cantos da terra. E mesmo com toda a fúria a voz dele é terna.
Hoje olho da janela e recordo aquele tempo, tudo que eu vivi foi uma escola boa. Tudo que passei escrevi na tabela de meu coração e nada digo sem refletir bem antes, porque cada palavra se configura para nós.

Sei que faço a diferença àqueles que amo, e isso é a mais preciosa dádiva, se doar gratuitamente e por livre e espontânea vontade.
Agradeço ao Senhor do alto, Deus de todas as coisas por ter me ofertado um coração simples, e que assim seja para todo o sempre.

Não se negue a aprender.
Quando vemos nações sofrendo, nos questionamos mais e mais. Onde está Deus que deixa crianças morrerem, e pessoas serem exterminadas?
Deus meu amigo, está dentro de cada um de nós. E naquele momento a fé, se fosse do tamanho de um grão de mostarda seria solução. Mas aquilo que os fez sofrer tinha de alguma forma uma permissão para isso.
E Deus é um Deus de amor. Suas intenções têm o seu propósito sábio porque ele é Deus, e se não fosse para algo de bom ele não permitira o caos. Ele sabe o futuro, nós não.

O esforço de um trabalho é digno de respeito, mas o esforço para subir degraus e pisar os que estão abaixo é ousadia. Tudo no mundo é ilusório, então cuidemos do espírito, mais que da carne.
A ganância é como correr atrás da brisa. O pouco com amor é tudo e sem amor somos apenas um povo a viver por viver. Quando a noite cai você reza e dorme sabendo que seus objetivos são apenas o que você pode abarcar, e isso é bom. Mas obter além do que você consegue aproveitar é burrice, é querer prender a brisa alada entre as mãos, e isso é impossível.

(Autoria: Fernanda)
Imagem: net
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