★☾ ✿Gente - Miúda✿

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Era uma vez, uma garotinha que se chamava... Bora ler!

domingo, 27 de dezembro de 2015

Mãe

(Autoria: Fernanda)

Hoje vou falar de um elo de amor.
Aquele que se empenha nos mínimos detalhes, que ama, que se doa, que não põe medidas para amar.
Seja ela correspondida ou não, sempre continuará sua missão de anjo.
MÃE! É de vocês que vou iniciar a semana falando.

As palavras mais bonitas que achei desde que conheci o significado: MÃE e PAI.
Mas vou comentar apenas uma delas, por merecimento do mês.
Um dia muito pequena, eu ouvia nas nossas orações “pai do céu” e “mãe do céu”.
Pensava que todas as pessoas do mundo tivessem o “pai do céu” e a “mãe do céu” apenas e ponto.

Não sei precisar bem minha idade, mas lembro com nitidez, a primeira vez que ouvi, uma menina dizer: mãe me compra uma bala? Com a maior naturalidade do mundo para ela. E para mim foi uma emoção tão forte, parecia que o céu estava na Terra e eu maravilhada, extasiada.

Corri na direção da senhora e lhe disse: você é a “mãe do céu”?
Ela - Não querida, eu sou mãe da Lia apenas.
Eu - Mas você pode ser minha mãe também?
Ela - Não minha querida, você já deve ter a sua própria mãe.
Eu - Eu tenho, a “mãe do céu”. Mas eu pensei que ela fosse mãe de todas as pessoas.
Ela - E é querida, mas deixou aqui na Terra, mãe e pai terrenos.

Eu - O que é terreno?
Ela - É a Terra, a Terra chamamos terrena.
Eu - Então eu tenho um pai e uma mãe só para mim?
Ela - Creio que sim.
Eu - Mas onde eles estão?
Ela - Na sua casa meu bem.

Saí da frente da igreja em disparada e corri para junto das outras crianças, e lhes contei a novidade.
Mas parecia que nenhum dos meus amiguinhos se interessou pela história.
Então chamei a irmã Dolores que cuidava da gente no horário da missa e lhe perguntei, onde estavam meus pais, que precisava muito lhes falar.
Ela me observou por algum tempo e depois me disse: menina, não tenho como chamar seus pais. Eles não moram aqui.

Eu - Mas todos temos pai e mãe, então onde estão os meus?
Bom, essa conversa se estendeu até a noite no orfanato, e como eu era a única a questionar a situação, a supervisora me levou até a diretora, e ela teve uma conversa proveitosa comigo.
Escuta menina, eu só conheci sua mãe, e te deixou aqui para vir buscar com dois dias e até hoje não voltou. Agora, deixe de perguntas e vá dormir.
Lembro como se fosse hoje, aquela conversa.
Então sem perceber que eu chorava, a supervisora, pegou no meu braço e me levou até o alojamento, e eu fui para minha cama tão triste, lembrando da Lia e da mãe dela.

Não conseguia dormir, só chorava baixinho, daí corri para o corredor e olhei pela fresta um pouquinho do céu e lá ajoelhei, juntei as mãozinhas e rezei.
Pai do céu, eu pensei que todas as pessoas só tivessem um pai e uma mãe e eles moravam aí no céu. Mas hoje descobri que temos um pai e uma mãe aqui, e aí então temos dois pais e duas mães.

O Senhor e mãezinha estão aí em cima cuidando da gente, e como a escada é muito grande para vir aqui, nos deu o segundo pai e a segunda mãe para cuidar da gente na terrena, que a moça falou. Como há muita gente por aqui, as nossas mães e pais daqui do orfanato, se perderam na descida, o Senhor pode iluminar os passos deles, para vir nos buscar? Ou vir morar com a gente?
Eu sei que pode! O senhor pode todas as coisas né? Eu sei.

Mas percebi porém que o lugar em que estávamos, era justamente porque nossos pais nos guardaram por lá e se foram.
Percebi também que só os privilegiados tinham pai e mãe.
Que pai e mãe nem sempre podiam ser de todos, e que aqueles que não os tinham poderiam um dia tê-los, mas talvez nunca tivessem.

Um dia no natal havia pessoas que iam ver as crianças para adotá-las. Antes de a hora chegar, estava conversando com quatro amiguinhas minhas, e elas queriam muito um lar, uma mãe, um pai, uma boneca, um cachorro, enfim, todas no mesmo ideal.

Eu tinha a ilusão que a minha mãe voltasse e me levasse com ela, então eu me escondia quando as pessoas chegavam.
Minhas amigas com o tempo foram ganhando pais e um lar e eu esperava minha mãe.
Um dia percebi que ela não viria, foi triste mas constatei.
Então como a vida no orfanato era um pouco gritante para minha fragilidade e delicadeza eu fugi, e fui morar na rua.

Bom, mas isso é outra história.

A palavra mãe tem doçura, carinho e amor.
Aprendi a ler por minha própria vontade, e sabe? Nem sei explicar isso, apenas um dia estava lendo e foi bem mesmo assim.
Então comecei a escrever para o céu, algumas vezes escrevia bastante nos papéis que encontrava limpo nas lixeiras, folhas soltas jogadas por alguém.

E quando ouvia no parque alguém dizer “mãe vem cá”, “mãe me põe no balaço”?
Eu punha as mãos no queixo e ficava sonhando que eu também podia chamar mãe. Então chamava, “mãe do céu” vem brincar comigo?
Um dia, não sei se foi sonho ou se foi imaginação de criança.

Mas os brinquedos estavam livres na praça e uma senhora muito bonita e elegante, toda de vestido rodado azul, bem comprido, chegou perto de mim, eu tinha uns seis anos, e ela disse: filha vamos brincar? Eu nem queria questionar naquele momento, apenas segurei em suas mãos e fui. Ela me deu um abraço tão doce e forte que parecia que meu coração irradiava amor por todos os lados.

Minha palavra que consegui pronunciar ali, foi apenas “mãe você veio”? Ela – sim filha você me chamou e eu vim.
Vamos brincar bastante e depois vou precisar ir outra vez, mas sempre que precisar de algo peça em direção aos pais que estão nos céus, e tudo lhe será dado na medida em que você for entendendo os motivos de ser como é.

Brincamos, brincamos até as seis quando o sino da igreja badalou, percebi então que nas badaladas do meio dia ela chegou e se foi às seis da tarde.
Nunca contei isso a ninguém, apenas me deu vontade de escrever hoje. Tudo bem, eu era uma criança e as crianças vêem coisas.

Mas nunca deixei de amar, olhar para o céu, nunca peço nada para mim, tenho mais conforto de pedir pelos outros, me sinto feliz assim.
Minha mãe esteve sempre presente nos meus anseios, no meu amor e no meu coração.
A palavra MÃE é preciosidade!

Filhos valorizem esse tesouro, pois o coração de uma mãe comporta sacrifícios enormes de amor por você, o que quer que possa imaginar, esse anjo faz, na medida do seu possível, e quando não lhe é possível, ela pede em oração e roga a Deus por ti.

Esta mulher é a ligação mais próxima de uma conversa ao pé do ouvido com Deus.
Que neste mês de maio, eu possa falar com exatidão da doçura e meiguice dessa brava defensora de sua prole.

M Ã E!

Era uma data apenas (dia das Crianças) parte 2

(Autoria: Fernanda)

 
Ela - Moço não precisa chorar.
Ele - Menina... Vamos escolher o mais bonito sapato para ti.
Ela - Não precisa moço, agora eu preciso ir.
Ele - Mas você queria tanto brincar em um dos brinquedos. Faz disso, você brinca apenas uma vez, só para sentir o sabor, e depois pode ir, está bem?
Ela - Está bem.
Ele - Mas primeiro vamos comprar um sapato para você.
Então eles saíram dali e entraram num lugar que mais parecia um palácio, e havia lá muitos, muitos sapatos.
Ela escolheu um misturado, azul com rosa. O azul e o rosa faziam parceria com suas preferências. E lá se foram eles para aquela ala encantada.

Ela brincou e sorriu.
Mas já estava bom, não podia ficar mais tempo naquele lugar, seu braço doía, é que onde o moço mau machucou, fazia pouco tempo que ela havia escorregado e batido aquele braço, ainda estava sensível.
O moço grande, seu Nélio, queria levá-la em casa, mas como dizer a ele que ela não tinha uma? E se dissesse que não tinha, e ele a levasse a um orfanato? Estava arredia, ele parecia um anjo de tão bom, mas não podia voltar outra vez para o orfanato, era doloroso para ela se imaginar lá outra vez.

Então parou de sorrir e ficou séria, estava refletindo.
Ela sabia que não podia mentir, era errado e feio.
Ele - Como se chama menina?
Ela pensou, ai meu Deus, lá vem as perguntas...
Ela - Fernanda, a menina lá da praia do Leblon.
Ele - Ah então você mora no Leblon?
Ela - Huhuuum!
Ele - Que bom, porque eu moro exatamente por ali, posso te deixar em casa?

Ela - Pode deixar na praia?
Ele - Sim.
Ela - Está bem. Então vamos.
Ele - Fernanda me diga, você está sozinha aqui no shopping?
Ela - Não estou sozinha não moço.
Ele - Cadê a pessoa que está com você?
Ela - Está aqui.
Ele - Onde?
Ela - Aqui, bem detrás das minhas costas.
Ele - Não vejo.
Ela - É meu anjo da guarda, você também tem o seu.

Ele riu e depois perguntou.
Onde estão seus pais?
Ela - Não sei.
Ele - Quantos anos têm?
Ela - 9.
Ele - Onde mora?
Ela - Na rua.
Ele - Desde quando?
Ela - Desde quando fugi do orfanato.
Ele - E quando foi, ontem?
Ela - Não senhor, já faz um bocado de tempo, eu tinha assim ó.
Ele - Está me dizendo que tinha 5 anos?
Ela - Sim.

Ele - Mas como isso é possível? Onde dorme?
Ela - Junto dos meus amigos.
Ele - Onde?
Ela - Quer ver?
Ele - Por favor!
Então a menina levou o moço até os outros que como ela, não tinha uma casa, eles forravam o chão, se aninhavam um perto do outro, para o frio ser menos forte, e ali dormiam, simples assim.
Ele fitava os amigos da menina e ela, então depois de um longo tempo ele disse.

Ele - Quer ir para casa comigo?
Ela - Não posso.
Ele - Por quê ?
Ela - Está vendo aquela senhora ali de gorro vermelho?
Ele - Sim estou.

Ela - Ela está muito doente, o doutor falou que ela ia logo, logo para o céu. Quando ela lembra, diz que eu sou a neta dela que o mar levou. E quando ela diz isso, ela chora muito e fica sem poder respirar, ela grita, chama pelo nome da menina e quer se jogar na água. Mas quando eu chamo ela de vó, então ela se acalma e eu fico abraçada nela até ela dormir.
Ela - Pode levar ela junto?

Ele - Não, eu não posso levar essa senhora também. Você seria mais fácil, poderia te adotar e você virar minha filha. Mas ela não tem como.
Ela - Sabe moço? Não precisa não. Vou continuar por aqui.
Ele - Quando quiser vê-los eu te trago aqui.

Nisso a senhora acordou e ficou tateando o lado que a menina dormia.
A menina olha para o senhor Nélio e diz.
Ela - Pode ir. Eu não abandono meus amigos. Ela precisa de mim. A gente precisa semear amor nas pessoas, para que o mundo tenha o que colher, e nunca mais existam pessoas e nem crianças sem lar.

Ele - De onde você tirou isso Fernanda?
Ela - Do anjo que é meu amigo, ele diz essas coisas para mim.
Então ela tirou os sapatos dos pés, e devolveu ao homem.
Ele não quis de volta e disse que pertencia a ela.
Ela - Obrigada!

Ele – Fernanda, vou te dar algum dinheiro, mas guarde bem guardado tá? É para poder se alimentar amanhã, junto com seus amigos. Fiquei muito contente com seu ato, de me devolver a carteira cheia de dinheiro. Aceite é de coração.

Ela - Não carece não moço, se for por isso, não precisa, não devemos receber recompensa por fazer o bem, é nosso dever de todo dia. O que não é nosso não deve ficar conosco. Preciso ir agora, devo ficar ali onde ela procura, se não ela vai começar a gritar e chorar...

Ele - Vou viajar, quando voltar venho aqui te ver está bem?
Ela - Está bem. Boa viagem moço.
Ele - Fica com Deus menina.
Ela - Ele está aqui no meio de nós.
Ele - Como sabe?

Ela - As pessoas esquecem que temos Deus a todo momento em nosso coração. Algumas deixam ele guardado por medo, outras por não querer perceber, e outras por não se sentirem merecedoras. Mas Deus é único e pai de todos nós, ele enxerga tudo com seu olhar de amor e é por isso que sabe quando alguém está falando a verdade ou mentindo, quando se arrepende ou não. Ele chora quando vê sua criação fazendo coisas más, como o homem que me machucou o braço, ele não estava fazendo o trabalho dele, o trabalho é um fruto bom ao homem. Na missa eu ouvi o padre dizer, que as crianças são preferidas na casa de Deus. Porque elas não tem medo de dizer a verdade, nem errar e concertar. É verdade moço, os adultos deveriam ser crianças na maioria das vezes.

Ele - Tem a razão. E então viramos amigos?
Ela - Há muito tempo, desde quando me deu aquele sorriso tão bonito, mesmo eu estando sem sapatos.
Ele - Você é muito mimosa e valiosa.
Ela - E isso é bom?
Ele sorriu, é muito.
Uma criança me ensinou o que nestes anos todos eu não havia conseguido aprender.
Ser humildade.

Presente de Natal

(Autoria: Fernanda)


Enquanto o bom velhinho fica subindo escadas nos parapeitos das casas, levando imaginação e sonhos a muitas crianças, os adultos se satisfazem com aquele boneco de roupa vermelha enfeitando seus lares. Ali na sacolinha do pai Noel, a cor verde-esperança não há nada. Os presentes almejados estão na capacidade de cada um enchê-la com cada item que acredita.

Papai Noel para mim era um nome que dei a Jesus quando era pequenina, depois de muitas vezes esperar o bom velhinho chegar nas madrugadas de natal lá no orfanato e depois nas ruas, sem êxito. No orfanato, eu pensava que ele não havia achado o nosso lar, porque não havia aquelas luzinhas piscando na sacada, por isso desviava sempre da nossa porta. E nas ruas era porque no meu canto de dormir não havia nem paredes, nem janelas e muito menos porta.

Um dia enquanto assistia um coral na praça, eu vi aquele homem de barba branquinha e roupa vermelha, sentado numa cadeira e muitas crianças indo até ele. Percebi que ele apenas as abraçava e lhes dava uma bala, fiquei confusa... Ele sempre era o homem de grandes presentes, mas vai ver ele já havia distribuído antes, e aquele momento era apenas dos abraços.

Passei as mãos nos cabelos, tentando ficar bonita, a mão no rosto para tirar a graxa e não sujá-lo, mas não consegui tirar tudo, então com um sorrisão bem grande fui passando pelas pessoas, e como se fosse alguém importante entrei na fila e me direcionei ao bom velhinho. A fila para chegar até ele estava pequena, ele já havia distribuído muitos, muitos abraços, faltava ainda três crianças e eu era a última das três, mas a fila já crescia outra vez detrás de mim.

Uma senhora então me tocou no braço quando só faltava mais uma menina que já havia ido, e eu era a próxima. “Menina vá lá para o final da fila, não percebe que irá sujar o papai Noel com essa lama”?
Eu - Não moça, eu quero só pedir um presente eu nem vou beijá-lo.
Ela - Olhe tome essa moeda, e vá comprar o que você gosta de usar.
Eu - Pode ser depois?
Ela - Agora!
Eu - Então obrigada, eu uso a janta depois, vou primeiro pedir um presente pra mim.
Ela - m e n i n a, vá para o final da fila, não percebe que todas as crianças estão limpas? Sai!
Saí da fila e fiquei ao lado, e a próxima menina foi para ganhar o abraço que poderia ser meu. Fui até um chafariz e passei água no rosto e nos cabelos, então sentei no meio fio e fiquei olhando, as meninas limpas abraçá-lo. De repente uma voz doce e terna afagou minha cabeça e disse: Você vai mesmo ficar sentada aí, sem seu presente? Olhei para cima e ele parecia a bondade em forma de pessoa.
Eu - mas estou suja!
Ele - nunca vi alguém tão limpa.
Eu - verdade?
Ele - sim.
Eu - então vou esperar ele abraçar logo todo mundo e depois vou lá.
Ele - mas e se os presentes acabarem?
Eu - o meu nunca vai acabar. Ele sorriu e me ajudou a levantar, então retornei outra vez à fila. (É, eu sempre fui persistente rsrsr)

Então outra vez já estava perto, quando uma garota atrás de mim me diz: hei menina, você deixa eu ficar na sua frente? Eu troco o seu lugar por um sorvete quer?
Eu - não obrigada! Então ela puxou meu cabelo e ficou puxando, me beliscando, mas eu precisava pedir um presente e fiquei suportando a dor. As lágrimas caiam dos meus olhos sem que eu pudesse fazê-las pararem, tudo aquilo me doía muito, mas eu precisava chegar até ele.
Então quando já era a minha vez, e eu caminhava para lá, ela deixou seu pé na frente da minha perna e eu caí. Ela passou à frente e eu levantei, enxuguei meu rosto e saí quando o papai Noel me chamou. O susto foi imenso, ainda olhei para os lados e ele disse: É você mesmo, vem cá meu anjo. Limpei minha roupa com as mãos, o cabelo e fui toda alegria para ele.

Ele - bom amiguinha, eu estava aqui vendo todo seu esforço de chegar até mim desde a primeira vez que entrou na fila.
Eu - é?
Ele - sim!

Então me sentou em seu colo, tirou meu cabelo do rosto e me beijou a testa. Depois segurando minhas duas mãos e olhando em meus olhos e bem dentro deles, ele perguntou: porque quis vir aqui?
Eu - para pedir um presente.
Ele - e qual seria este presente menina?
Ela - então não sabe meu nome?
Ele - Se você quiser me dizer...
Ela - Sim, primeiro meu nome é Fernanda, acho que até é por isso que o senhor não me achava né?
Ele - talvez. Mas me diga Fernanda, o que quer de presente?
Ela - minha mãe e meu pai.
Ele - então você não os tem?
Eu - Tenho lá no céu, mas Deus nos dá um aqui na terra também, e eu tive, mas é que minha mãe me deixou lá no orfanato por uma semana quando eu era bem pequenina, e não aprendeu mais o caminho de ir me buscar. Então eu queria que você tirasse daí de dentro da sua sacola mágica, eles e me desse de presente hoje, é só isso e mais nada por favor.
Ele me abraçou demorado e disse com a voz diferente, uma voz de nó na garganta, como eu sempre fazia quando não queria chorar. _ De toda certeza que tenho no meu coração Fernanda, você vai achar seus pais. Eu não os tenho aqui comigo, mas você sim. Então lhe perguntei: eu?
Ele - sim aí dentro do seu coração, mas haverá um dia em que eles estarão também aqui fora, partilhando os natais com você e tudo mais, você acredita?
Eu - sim!
Ele - então esse será seu melhor presente, vou encaminhar todos os dias uma cartinha para o papai Noel que pode tudo e ele te dará com certeza esse presente.
Ela - tá bom, então pode me dar um abraço?
Ele - um abraço, um beijo, esse chocolate e minha eterna amizade.

Saí de lá com meu coração tão feliz, parecia que havia ganho um presente que acalma a alma.
Fui para a beira da praia, e a lua estava bem redonda. Ajoelhei e pensei: papai noel que pode tudo? Já sei! Ele estava falado do Senhor do alto.
Então é papai Noel também né? Só que de todos os dias, sem ser só dos natais. Porque nos natais você não pode. Está nascendo nos corações das pessoas.