★☾ ✿Gente - Miúda✿

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Era uma vez, uma garotinha que se chamava... Bora ler!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Foi ser liberdade

(Autoria: Fernanda)
Imagem: net
 



Senhora, por que está chorando?
O que aconteceu? Pode por favor, me contar?
A senhora a olhou de cima abaixo e num tom severo disse, devolva meu anel. Diga menina! Onde você o escondeu?

A menina não sabia onde estava a jóia. Olhou para a senhora, e com os olhos marejados disse: Não vi seu anel senhora. Num ímpeto sentiu numa das faces o peso das mãos que aprendera a conhecer tão bem, a lhe por de castigo. A senhora a levou até o quarto escuro e lá ela ficou o dia inteiro.


No finalzinho da noite a porta se abriu e a menina saiu com os olhos doendo da iluminação forte neles. Fora-lhe permitido um banho. Foi, se banhou e voltou para a ala das meninas, tudo em silêncio. O jantar estava servido, e lhe dado um copo de água, ela agradeceu, tomou e pediu para se retirar. Seu pedido fora negado e ela ficou sentindo o cheiro do caldo que estava sendo servido à mesa. Engolia a saliva e fechava os olhos.

Final do jantar, quando era tirada a mesa, foi anunciada uma visita. A ajudante do orfanato diz: Dona Maura sua prima a espera. Mande que entre, não posso deixar essas crianças sozinhas aqui.

A moça entra, se abraçam, conversam enquanto as crianças lavavam os pratos.
A que devo a honra de tua visita? Prima, liguei para ti o dia inteiro, minha formatura foi muito bonita, pena não teres ido. A senhora Maura se desculpou pelos afazeres não tê-la permitido ir, e em seguida a moça tira do dedo o anel lhe devolve e agradece. Obrigada querida por tê-lo emprestado a mim.

Todos se voltaram para a senhora Maura com um tom de revolta, menos a menina, que feliz da vida ficou, por saber que a senhora agora sabia que ela falava a verdade. A senhora meio sem jeito apenas, batia as mãos e dizia: Todos já para a cama, cuida!

Naquela noite a menina recebera o carinho de seus amiguinhos. E da janela de seu “quarto” pensava: Um dia eu vou admirar as estrelas bem na frente do mar, dormir junto com a brisa e ver o sol nascer todo lindo, bem diante dos meus olhos.

Um dia amenina escapou, foi ser liberdade.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Prece

(Autoria: Fernanda)
imagem net
 


A menina levava a sério todas as coisas que precisassem de seriedade.
Ela amava a liberdade que tinha com a mãe natureza.
Passeava por canteiros de flores e sorria, sentia-se em casa. Molhava as mãos pequeninas nas ondas faceiras do mar, e fazia o sinal da cruz, em tom de agradecimento.

Passava horas fitando o horizonte e namorando o céu. Muitas vezes via-se em seus olhos as lágrimas caminharem para o chão.
Certa vez encontrou senhor Ivo, homem bom e já de idade.
Ele semelhava o Pai Noel e muitas vezes lhe matou a fome. Ela tatuou sua bondade, onde tatuava os que passavam a morar por dentro dela.

Um dia senhor Ivo foi morar no céu, por não ter alguém para tomar conta dele quando ficou doente. Isso era o que ela escutara de uma vizinha dele e guardou na memória.
Saiu dali, com um rio fluindo dos olhos e voltou para a beira mar, onde o conhecera.

Olhou para o céu e na tentativa pura de uma criança, pediu ao alto num tom de prece.
Senhor do alto, sou eu a tua filha da terra.
Venho te pedir que cuide aí em cima do senhor Ivo.
Eu não sabia que ele precisava de ajuda. Se eu soubesse, teria pedido ao Senhor para me ensinar a cuidar dele do jeito certo.
Ele sabia cuidar, e eu deveria ter aprendido com ele. Assim eu teria cuidado dele tão certinho, e ele teria ficado aqui mesmo na terra.
Senhor do alto, você pode me ensinar a cuidar das pessoas, para que elas fiquem sempre bem? Se deixar eu quero cuidar dos velhinhos e um dia quando crescer, das crianças e de todas as pessoas que precisarem de mim.

Escuta Senhor, se o Senhor aceitar eu vou me esforçar para ser uma boa “cuidadora” viu? Vá pensando... Por agora eu queria saber se ele ficou triste ou feliz, de ter ido morar aí em cima. Pode, por favor, me fazer sonhar e saber?
Pode também dizer para ele, que eu disse para uma senhora, aquela que caminha de calça de bolinha e blusa branca, que ele era meu vozinho querido? É que eu ia perguntar dele naquele dia, se ele podia ser meu vozinho do coração, mas quando eu cheguei lá, ele já tinha dormido.

Diz para ele que eu fiquei marrenta com o SONO, porque ele levou meu vozinho. Mas o padre me disse que o Senhor o chamou, porque estava precisando muito dele por aí. Então está tudo bem agora, a minha cara já não está mais de brava tá? Desculpa.

Diz para ele que eu vou estudar lá pros lados de Niterói, mas só se dona Luiza conseguir uma vaga para mim por lá. Se não fico lá na favela mesmo.
Que o Peter vai estudar comigo, mas prometeu ficar bem quietinho quando eu estiver ocupada.

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quarta-feira, 14 de março de 2012

Ser poeta

(Autoria: Fernanda)
Imagem: net



Senhor do alto, hoje eu aprendi mais uma coisa. Escuta é assim: Aperte então meu coração com teus olhos, e vire minha essência ao avesso. Verás então a magia do amor, mais brilhante que o sol. Sente no teu peito o afago de uma lágrima, que as meninas dos olhos teimosas que são, desnudaram diante de ti. Vês? No colher de um beijo, somos singulares, no coração toda essência. Então isso é ser poeta? Se é, VOCÊ é a minha melhor poesia.