★☾ ✿Gente - Miúda✿

★☾ ✿Gente - Miúda✿
Era uma vez, uma garotinha que se chamava... Bora ler!

domingo, 27 de dezembro de 2015

Mãe

(Autoria: Fernanda)

Hoje vou falar de um elo de amor.
Aquele que se empenha nos mínimos detalhes, que ama, que se doa, que não põe medidas para amar.
Seja ela correspondida ou não, sempre continuará sua missão de anjo.
MÃE! É de vocês que vou iniciar a semana falando.

As palavras mais bonitas que achei desde que conheci o significado: MÃE e PAI.
Mas vou comentar apenas uma delas, por merecimento do mês.
Um dia muito pequena, eu ouvia nas nossas orações “pai do céu” e “mãe do céu”.
Pensava que todas as pessoas do mundo tivessem o “pai do céu” e a “mãe do céu” apenas e ponto.

Não sei precisar bem minha idade, mas lembro com nitidez, a primeira vez que ouvi, uma menina dizer: mãe me compra uma bala? Com a maior naturalidade do mundo para ela. E para mim foi uma emoção tão forte, parecia que o céu estava na Terra e eu maravilhada, extasiada.

Corri na direção da senhora e lhe disse: você é a “mãe do céu”?
Ela - Não querida, eu sou mãe da Lia apenas.
Eu - Mas você pode ser minha mãe também?
Ela - Não minha querida, você já deve ter a sua própria mãe.
Eu - Eu tenho, a “mãe do céu”. Mas eu pensei que ela fosse mãe de todas as pessoas.
Ela - E é querida, mas deixou aqui na Terra, mãe e pai terrenos.

Eu - O que é terreno?
Ela - É a Terra, a Terra chamamos terrena.
Eu - Então eu tenho um pai e uma mãe só para mim?
Ela - Creio que sim.
Eu - Mas onde eles estão?
Ela - Na sua casa meu bem.

Saí da frente da igreja em disparada e corri para junto das outras crianças, e lhes contei a novidade.
Mas parecia que nenhum dos meus amiguinhos se interessou pela história.
Então chamei a irmã Dolores que cuidava da gente no horário da missa e lhe perguntei, onde estavam meus pais, que precisava muito lhes falar.
Ela me observou por algum tempo e depois me disse: menina, não tenho como chamar seus pais. Eles não moram aqui.

Eu - Mas todos temos pai e mãe, então onde estão os meus?
Bom, essa conversa se estendeu até a noite no orfanato, e como eu era a única a questionar a situação, a supervisora me levou até a diretora, e ela teve uma conversa proveitosa comigo.
Escuta menina, eu só conheci sua mãe, e te deixou aqui para vir buscar com dois dias e até hoje não voltou. Agora, deixe de perguntas e vá dormir.
Lembro como se fosse hoje, aquela conversa.
Então sem perceber que eu chorava, a supervisora, pegou no meu braço e me levou até o alojamento, e eu fui para minha cama tão triste, lembrando da Lia e da mãe dela.

Não conseguia dormir, só chorava baixinho, daí corri para o corredor e olhei pela fresta um pouquinho do céu e lá ajoelhei, juntei as mãozinhas e rezei.
Pai do céu, eu pensei que todas as pessoas só tivessem um pai e uma mãe e eles moravam aí no céu. Mas hoje descobri que temos um pai e uma mãe aqui, e aí então temos dois pais e duas mães.

O Senhor e mãezinha estão aí em cima cuidando da gente, e como a escada é muito grande para vir aqui, nos deu o segundo pai e a segunda mãe para cuidar da gente na terrena, que a moça falou. Como há muita gente por aqui, as nossas mães e pais daqui do orfanato, se perderam na descida, o Senhor pode iluminar os passos deles, para vir nos buscar? Ou vir morar com a gente?
Eu sei que pode! O senhor pode todas as coisas né? Eu sei.

Mas percebi porém que o lugar em que estávamos, era justamente porque nossos pais nos guardaram por lá e se foram.
Percebi também que só os privilegiados tinham pai e mãe.
Que pai e mãe nem sempre podiam ser de todos, e que aqueles que não os tinham poderiam um dia tê-los, mas talvez nunca tivessem.

Um dia no natal havia pessoas que iam ver as crianças para adotá-las. Antes de a hora chegar, estava conversando com quatro amiguinhas minhas, e elas queriam muito um lar, uma mãe, um pai, uma boneca, um cachorro, enfim, todas no mesmo ideal.

Eu tinha a ilusão que a minha mãe voltasse e me levasse com ela, então eu me escondia quando as pessoas chegavam.
Minhas amigas com o tempo foram ganhando pais e um lar e eu esperava minha mãe.
Um dia percebi que ela não viria, foi triste mas constatei.
Então como a vida no orfanato era um pouco gritante para minha fragilidade e delicadeza eu fugi, e fui morar na rua.

Bom, mas isso é outra história.

A palavra mãe tem doçura, carinho e amor.
Aprendi a ler por minha própria vontade, e sabe? Nem sei explicar isso, apenas um dia estava lendo e foi bem mesmo assim.
Então comecei a escrever para o céu, algumas vezes escrevia bastante nos papéis que encontrava limpo nas lixeiras, folhas soltas jogadas por alguém.

E quando ouvia no parque alguém dizer “mãe vem cá”, “mãe me põe no balaço”?
Eu punha as mãos no queixo e ficava sonhando que eu também podia chamar mãe. Então chamava, “mãe do céu” vem brincar comigo?
Um dia, não sei se foi sonho ou se foi imaginação de criança.

Mas os brinquedos estavam livres na praça e uma senhora muito bonita e elegante, toda de vestido rodado azul, bem comprido, chegou perto de mim, eu tinha uns seis anos, e ela disse: filha vamos brincar? Eu nem queria questionar naquele momento, apenas segurei em suas mãos e fui. Ela me deu um abraço tão doce e forte que parecia que meu coração irradiava amor por todos os lados.

Minha palavra que consegui pronunciar ali, foi apenas “mãe você veio”? Ela – sim filha você me chamou e eu vim.
Vamos brincar bastante e depois vou precisar ir outra vez, mas sempre que precisar de algo peça em direção aos pais que estão nos céus, e tudo lhe será dado na medida em que você for entendendo os motivos de ser como é.

Brincamos, brincamos até as seis quando o sino da igreja badalou, percebi então que nas badaladas do meio dia ela chegou e se foi às seis da tarde.
Nunca contei isso a ninguém, apenas me deu vontade de escrever hoje. Tudo bem, eu era uma criança e as crianças vêem coisas.

Mas nunca deixei de amar, olhar para o céu, nunca peço nada para mim, tenho mais conforto de pedir pelos outros, me sinto feliz assim.
Minha mãe esteve sempre presente nos meus anseios, no meu amor e no meu coração.
A palavra MÃE é preciosidade!

Filhos valorizem esse tesouro, pois o coração de uma mãe comporta sacrifícios enormes de amor por você, o que quer que possa imaginar, esse anjo faz, na medida do seu possível, e quando não lhe é possível, ela pede em oração e roga a Deus por ti.

Esta mulher é a ligação mais próxima de uma conversa ao pé do ouvido com Deus.
Que neste mês de maio, eu possa falar com exatidão da doçura e meiguice dessa brava defensora de sua prole.

M Ã E!

Era uma data apenas (dia das Crianças) parte 2

(Autoria: Fernanda)

 
Ela - Moço não precisa chorar.
Ele - Menina... Vamos escolher o mais bonito sapato para ti.
Ela - Não precisa moço, agora eu preciso ir.
Ele - Mas você queria tanto brincar em um dos brinquedos. Faz disso, você brinca apenas uma vez, só para sentir o sabor, e depois pode ir, está bem?
Ela - Está bem.
Ele - Mas primeiro vamos comprar um sapato para você.
Então eles saíram dali e entraram num lugar que mais parecia um palácio, e havia lá muitos, muitos sapatos.
Ela escolheu um misturado, azul com rosa. O azul e o rosa faziam parceria com suas preferências. E lá se foram eles para aquela ala encantada.

Ela brincou e sorriu.
Mas já estava bom, não podia ficar mais tempo naquele lugar, seu braço doía, é que onde o moço mau machucou, fazia pouco tempo que ela havia escorregado e batido aquele braço, ainda estava sensível.
O moço grande, seu Nélio, queria levá-la em casa, mas como dizer a ele que ela não tinha uma? E se dissesse que não tinha, e ele a levasse a um orfanato? Estava arredia, ele parecia um anjo de tão bom, mas não podia voltar outra vez para o orfanato, era doloroso para ela se imaginar lá outra vez.

Então parou de sorrir e ficou séria, estava refletindo.
Ela sabia que não podia mentir, era errado e feio.
Ele - Como se chama menina?
Ela pensou, ai meu Deus, lá vem as perguntas...
Ela - Fernanda, a menina lá da praia do Leblon.
Ele - Ah então você mora no Leblon?
Ela - Huhuuum!
Ele - Que bom, porque eu moro exatamente por ali, posso te deixar em casa?

Ela - Pode deixar na praia?
Ele - Sim.
Ela - Está bem. Então vamos.
Ele - Fernanda me diga, você está sozinha aqui no shopping?
Ela - Não estou sozinha não moço.
Ele - Cadê a pessoa que está com você?
Ela - Está aqui.
Ele - Onde?
Ela - Aqui, bem detrás das minhas costas.
Ele - Não vejo.
Ela - É meu anjo da guarda, você também tem o seu.

Ele riu e depois perguntou.
Onde estão seus pais?
Ela - Não sei.
Ele - Quantos anos têm?
Ela - 9.
Ele - Onde mora?
Ela - Na rua.
Ele - Desde quando?
Ela - Desde quando fugi do orfanato.
Ele - E quando foi, ontem?
Ela - Não senhor, já faz um bocado de tempo, eu tinha assim ó.
Ele - Está me dizendo que tinha 5 anos?
Ela - Sim.

Ele - Mas como isso é possível? Onde dorme?
Ela - Junto dos meus amigos.
Ele - Onde?
Ela - Quer ver?
Ele - Por favor!
Então a menina levou o moço até os outros que como ela, não tinha uma casa, eles forravam o chão, se aninhavam um perto do outro, para o frio ser menos forte, e ali dormiam, simples assim.
Ele fitava os amigos da menina e ela, então depois de um longo tempo ele disse.

Ele - Quer ir para casa comigo?
Ela - Não posso.
Ele - Por quê ?
Ela - Está vendo aquela senhora ali de gorro vermelho?
Ele - Sim estou.

Ela - Ela está muito doente, o doutor falou que ela ia logo, logo para o céu. Quando ela lembra, diz que eu sou a neta dela que o mar levou. E quando ela diz isso, ela chora muito e fica sem poder respirar, ela grita, chama pelo nome da menina e quer se jogar na água. Mas quando eu chamo ela de vó, então ela se acalma e eu fico abraçada nela até ela dormir.
Ela - Pode levar ela junto?

Ele - Não, eu não posso levar essa senhora também. Você seria mais fácil, poderia te adotar e você virar minha filha. Mas ela não tem como.
Ela - Sabe moço? Não precisa não. Vou continuar por aqui.
Ele - Quando quiser vê-los eu te trago aqui.

Nisso a senhora acordou e ficou tateando o lado que a menina dormia.
A menina olha para o senhor Nélio e diz.
Ela - Pode ir. Eu não abandono meus amigos. Ela precisa de mim. A gente precisa semear amor nas pessoas, para que o mundo tenha o que colher, e nunca mais existam pessoas e nem crianças sem lar.

Ele - De onde você tirou isso Fernanda?
Ela - Do anjo que é meu amigo, ele diz essas coisas para mim.
Então ela tirou os sapatos dos pés, e devolveu ao homem.
Ele não quis de volta e disse que pertencia a ela.
Ela - Obrigada!

Ele – Fernanda, vou te dar algum dinheiro, mas guarde bem guardado tá? É para poder se alimentar amanhã, junto com seus amigos. Fiquei muito contente com seu ato, de me devolver a carteira cheia de dinheiro. Aceite é de coração.

Ela - Não carece não moço, se for por isso, não precisa, não devemos receber recompensa por fazer o bem, é nosso dever de todo dia. O que não é nosso não deve ficar conosco. Preciso ir agora, devo ficar ali onde ela procura, se não ela vai começar a gritar e chorar...

Ele - Vou viajar, quando voltar venho aqui te ver está bem?
Ela - Está bem. Boa viagem moço.
Ele - Fica com Deus menina.
Ela - Ele está aqui no meio de nós.
Ele - Como sabe?

Ela - As pessoas esquecem que temos Deus a todo momento em nosso coração. Algumas deixam ele guardado por medo, outras por não querer perceber, e outras por não se sentirem merecedoras. Mas Deus é único e pai de todos nós, ele enxerga tudo com seu olhar de amor e é por isso que sabe quando alguém está falando a verdade ou mentindo, quando se arrepende ou não. Ele chora quando vê sua criação fazendo coisas más, como o homem que me machucou o braço, ele não estava fazendo o trabalho dele, o trabalho é um fruto bom ao homem. Na missa eu ouvi o padre dizer, que as crianças são preferidas na casa de Deus. Porque elas não tem medo de dizer a verdade, nem errar e concertar. É verdade moço, os adultos deveriam ser crianças na maioria das vezes.

Ele - Tem a razão. E então viramos amigos?
Ela - Há muito tempo, desde quando me deu aquele sorriso tão bonito, mesmo eu estando sem sapatos.
Ele - Você é muito mimosa e valiosa.
Ela - E isso é bom?
Ele sorriu, é muito.
Uma criança me ensinou o que nestes anos todos eu não havia conseguido aprender.
Ser humildade.

Presente de Natal

(Autoria: Fernanda)


Enquanto o bom velhinho fica subindo escadas nos parapeitos das casas, levando imaginação e sonhos a muitas crianças, os adultos se satisfazem com aquele boneco de roupa vermelha enfeitando seus lares. Ali na sacolinha do pai Noel, a cor verde-esperança não há nada. Os presentes almejados estão na capacidade de cada um enchê-la com cada item que acredita.

Papai Noel para mim era um nome que dei a Jesus quando era pequenina, depois de muitas vezes esperar o bom velhinho chegar nas madrugadas de natal lá no orfanato e depois nas ruas, sem êxito. No orfanato, eu pensava que ele não havia achado o nosso lar, porque não havia aquelas luzinhas piscando na sacada, por isso desviava sempre da nossa porta. E nas ruas era porque no meu canto de dormir não havia nem paredes, nem janelas e muito menos porta.

Um dia enquanto assistia um coral na praça, eu vi aquele homem de barba branquinha e roupa vermelha, sentado numa cadeira e muitas crianças indo até ele. Percebi que ele apenas as abraçava e lhes dava uma bala, fiquei confusa... Ele sempre era o homem de grandes presentes, mas vai ver ele já havia distribuído antes, e aquele momento era apenas dos abraços.

Passei as mãos nos cabelos, tentando ficar bonita, a mão no rosto para tirar a graxa e não sujá-lo, mas não consegui tirar tudo, então com um sorrisão bem grande fui passando pelas pessoas, e como se fosse alguém importante entrei na fila e me direcionei ao bom velhinho. A fila para chegar até ele estava pequena, ele já havia distribuído muitos, muitos abraços, faltava ainda três crianças e eu era a última das três, mas a fila já crescia outra vez detrás de mim.

Uma senhora então me tocou no braço quando só faltava mais uma menina que já havia ido, e eu era a próxima. “Menina vá lá para o final da fila, não percebe que irá sujar o papai Noel com essa lama”?
Eu - Não moça, eu quero só pedir um presente eu nem vou beijá-lo.
Ela - Olhe tome essa moeda, e vá comprar o que você gosta de usar.
Eu - Pode ser depois?
Ela - Agora!
Eu - Então obrigada, eu uso a janta depois, vou primeiro pedir um presente pra mim.
Ela - m e n i n a, vá para o final da fila, não percebe que todas as crianças estão limpas? Sai!
Saí da fila e fiquei ao lado, e a próxima menina foi para ganhar o abraço que poderia ser meu. Fui até um chafariz e passei água no rosto e nos cabelos, então sentei no meio fio e fiquei olhando, as meninas limpas abraçá-lo. De repente uma voz doce e terna afagou minha cabeça e disse: Você vai mesmo ficar sentada aí, sem seu presente? Olhei para cima e ele parecia a bondade em forma de pessoa.
Eu - mas estou suja!
Ele - nunca vi alguém tão limpa.
Eu - verdade?
Ele - sim.
Eu - então vou esperar ele abraçar logo todo mundo e depois vou lá.
Ele - mas e se os presentes acabarem?
Eu - o meu nunca vai acabar. Ele sorriu e me ajudou a levantar, então retornei outra vez à fila. (É, eu sempre fui persistente rsrsr)

Então outra vez já estava perto, quando uma garota atrás de mim me diz: hei menina, você deixa eu ficar na sua frente? Eu troco o seu lugar por um sorvete quer?
Eu - não obrigada! Então ela puxou meu cabelo e ficou puxando, me beliscando, mas eu precisava pedir um presente e fiquei suportando a dor. As lágrimas caiam dos meus olhos sem que eu pudesse fazê-las pararem, tudo aquilo me doía muito, mas eu precisava chegar até ele.
Então quando já era a minha vez, e eu caminhava para lá, ela deixou seu pé na frente da minha perna e eu caí. Ela passou à frente e eu levantei, enxuguei meu rosto e saí quando o papai Noel me chamou. O susto foi imenso, ainda olhei para os lados e ele disse: É você mesmo, vem cá meu anjo. Limpei minha roupa com as mãos, o cabelo e fui toda alegria para ele.

Ele - bom amiguinha, eu estava aqui vendo todo seu esforço de chegar até mim desde a primeira vez que entrou na fila.
Eu - é?
Ele - sim!

Então me sentou em seu colo, tirou meu cabelo do rosto e me beijou a testa. Depois segurando minhas duas mãos e olhando em meus olhos e bem dentro deles, ele perguntou: porque quis vir aqui?
Eu - para pedir um presente.
Ele - e qual seria este presente menina?
Ela - então não sabe meu nome?
Ele - Se você quiser me dizer...
Ela - Sim, primeiro meu nome é Fernanda, acho que até é por isso que o senhor não me achava né?
Ele - talvez. Mas me diga Fernanda, o que quer de presente?
Ela - minha mãe e meu pai.
Ele - então você não os tem?
Eu - Tenho lá no céu, mas Deus nos dá um aqui na terra também, e eu tive, mas é que minha mãe me deixou lá no orfanato por uma semana quando eu era bem pequenina, e não aprendeu mais o caminho de ir me buscar. Então eu queria que você tirasse daí de dentro da sua sacola mágica, eles e me desse de presente hoje, é só isso e mais nada por favor.
Ele me abraçou demorado e disse com a voz diferente, uma voz de nó na garganta, como eu sempre fazia quando não queria chorar. _ De toda certeza que tenho no meu coração Fernanda, você vai achar seus pais. Eu não os tenho aqui comigo, mas você sim. Então lhe perguntei: eu?
Ele - sim aí dentro do seu coração, mas haverá um dia em que eles estarão também aqui fora, partilhando os natais com você e tudo mais, você acredita?
Eu - sim!
Ele - então esse será seu melhor presente, vou encaminhar todos os dias uma cartinha para o papai Noel que pode tudo e ele te dará com certeza esse presente.
Ela - tá bom, então pode me dar um abraço?
Ele - um abraço, um beijo, esse chocolate e minha eterna amizade.

Saí de lá com meu coração tão feliz, parecia que havia ganho um presente que acalma a alma.
Fui para a beira da praia, e a lua estava bem redonda. Ajoelhei e pensei: papai noel que pode tudo? Já sei! Ele estava falado do Senhor do alto.
Então é papai Noel também né? Só que de todos os dias, sem ser só dos natais. Porque nos natais você não pode. Está nascendo nos corações das pessoas.


Era uma data apenas (dia das crianças) Parte 1

(Autoria: Fernanda)

Era uma data apenas.
Mas ali havia um marco, havia um elo bonito.
E todos os anos ela via chegar com alegria, para todas as crianças que conhecia, menos para ela.
Sentada numa pedra em frente para o mar, ela corria os olhos naquele mundão de água.
Não percebia que um mar também se fazia nos olhos dela.

Recorda...

O lugar era repleto de crianças, todas muito bem vestidas e felizes.
Ela caminhava sobre aquela alegria deles, com um sorriso de deslumbre.
Nunca havia presenciado tanta felicidade junta.
Os brinquedos, tantos e tantos, todos de diversos rostos.
Ela se encantou com a tartaruguinha que balançava, toda vez que alguém punha uma criança lá.
Chegou pertinho, tocou o brinquedo e todos se voltaram para ela, como se ali estivesse alguém muito diferente.

Ela olhou para si mesma e não percebeu nada de errado, então continuou a tocar o bichinho.
Logo um senhor se aproxima.
Hei menina o que está fazendo aqui?
Ela - Vim brincar moço.
Ele segurou forte seu bracinho e foi levando-a até o local da saída.
Depois quando chegou à rua, ele abaixou e foi falando, lhe olhando direto nos olhos.
Ele - Escute  menina, não entre mais aqui está entendendo?
Ela - Sim moço estou...

Ele larga seu braço e já vai entrando quando a menina pergunta.
Ela – Moço, porque eu não posso brincar aí?
Ele - Porque você não tem sapatos.
Ela - Só por isso?
Ele não lhe respondeu mais nada, apenas deu as costas e se foi.
Ela foi saindo sem entender, porque os sapatos faziam tanta diferença.
Então sentou-se num banco que ficava na entrada daquele lugar tão bonito e ali, ficou vendo as crianças chegarem acompanhadas de um adulto, com um balão numa mão e pipoca na outra.

Seu estomago doía, estava com fome, mas logo ia passar, às vezes passava quando ela dormia.
Um senhor muito alto e elegante, passa por ela e lhe sorri.
Ela sorri também e ele continua seu caminho, vai entrar naquele lugar bonito.
Ela observa o sapato dele, é tão brilhante.
Algo cai no chão e ele nem percebe.
Ela corre e pega, olha é uma carteira, bem gorda.
Então abre a portinha e grita, senhor muito grande, olha aqui.
Ele parece não ouvir.
Ela pensa no que o outro homem que lhe machucou o braço falou.

Então pegou um saco plástico que estava na lixeira da entrada e fez sapatos para seus pés, entrou na loja que o senhor estava.
Quase sem forças de tanto amarrar o plástico e olhar para não perder o homem de vista.
Chegou à porta da loja e gritou novamente.
Hei seu homem grande, posso falar com o senhor?
Todos se voltam para ela e fitam seus pés.
Sente então um aperto em seu braço. Era aquele senhor mau novamente.
Menina eu não te avisei que não era para entrar aqui?
Ela - Por favor, eu só vim devolver isso para esse senhor, ele deixou cair lá fora. Mas eu estou de sapatos veja! Disse chorando por sentir dor no braço.

O senhor muito grande pegou a carteira e lhe abraçou muito forte.
A menina olhou para ele e disse.
O senhor nunca ia ficar com o braço machucado aqui nesse lugar, seus sapatos são tão bonitos.
Ele então lhe carregou no colo e lhe beijou o rosto.
O outro não sabia para onde foi, e as senhoras lhe acariciavam a cabeça.
Então ela diz que já precisa ir.

O senhor muito alto, se chamava Nélio.
Perguntou se ela queria comer alguma coisa.
Ela lhe respondeu um suco de água tem?
Ele - Suco de água?
Ela - Sim.
Ele - Como se faz ?
Ela - Põe a água num copo e imagina que ela tem doce.
Ele com a menina no colo, caminhou para um lugar com cheiro de coisas gostosas.

Depois sentou-lhe numa cadeira muito bonita, aliás ali tudo era bonito e lhe serviu uma pizza, que ela até hoje não esquece.
Depois lhe perguntou o que mais ela gostaria de fazer naquele dia.
Ela disse que era andar na tartaruga que parece com a do mar.
Lá onde um montão de crianças estavam.

Ele - Então vamos lá?
Ela - Não posso.
Ele - Por quê?
Ela - Meu sapato rasgou lembra? E aquele senhor disse que não se pode ficar aqui sem sapatos.
Ele olhou nos olhos dela.
E ela viu ali o mesmo mar que havia nos seus.


(Continua...)

Base

(Autoria: Fernanda)


Numa canção eu sonhei longe.
E foi sonhando acordada que acarinhei a liberdade na medida exata.
É inaceitável uma criança ser alforriada de um orientador na vida.
Sem ter quem lhe ensine as estações,
Como afagar a vontade de merecer um pouquinho do normal, a qualquer bambino.
Como aprender, sem se machucar muitas vezes?
E se saber voltar para quem?
´
Muitas vezes sentava nas praças e via as mães chegarem com seus filhotes.
Algumas com eles num carrinho tão lindo, outras segurando na mão. Algumas crianças preferiam soltar-se e ir ao encontro do melhor brinquedo do parque.

Eu observava, lá num cantinho do banco, como um bichinho assustado.
Não com as pessoas, mas com o merecimento de não poder ir até lá brincar, eu não sabia se podia.
Para mim os brinquedos tinham donos, eram das crianças que tinham pais.
E pensava assim, por susto e falta de explicação.

Um dia eu estava brincando no escorrega e uma menininha, me mandou sair porque eu estava suja. Ainda tentei argumentar eu lembro, mas a sua babá me pegou na orelha e me fez descer. Xô menina, isso aqui não é pra você!
Sem jeito e com o ouvido doendo eu desci e fui sentar num cantinho do banco.
Então de lá eu via a menininha brincando com outras crianças, e vez em quando a moça lhe levava água, ou suco, não tenho certeza, mas era algo por certo muito bom de sorver, pois ela degustava bem devagar e passava a língua nos lábios.

De repente um menino vem até mim e me chama para brincar de bola, fico toda animada, então pulo do banco e me preparo para segurar a bola que ele me lança. A mãe dele tomou antes de chegar nas minhas mãos e disse a ele, “quer ser roubado?” Se perder esta bola não te compro outra, não vê que essa menina é de rua?
 
Eu até então não sabia que eu era uma menina de rua, sabia que era diferente, mais nunca havia pensado naquela forma.Então afastei mais ainda e fiquei sentada perto da quadra de esportes, pensando.

O que é uma menina de rua?
Será que eu tenho alguma coisa ruim?
Então é por isso que ninguém me deixa brincar?
Será que é por isso que eu choro tanto?

Um senhor passa por mim e diz: menina quer ganhar um troco?
Eu - Não senhor.
Ele - Então não está com fome?
Eu - Sim estou.
Ele - E não quer ganhar um sanduíche?
Eu - É de comer?
Ele - Ri e diz, sim é de comer.
Eu - Então eu quero.
Ele - Então me ajuda a catar latinha aqui na praia e depois agente come tá?
Eu - Ta bem!

Então depois de muitas latinhas ele compra um pão cheio de coisas dentro, umas das coisas eu olhei e pedi para ele retirar de lá, era mortadela. Não como carne lhe disse, só de frango.

Ele - Porquê?
Eu - Tem um anjo que é meu amigo, ele disse que eu não posso de maneira nenhuma comer carne de boi.
Ele - Ah, e esse anjo sabe onde é sua casa?
Eu - Sabe.
Ele - Onde?
Eu - Por enquanto na rua.
Ele - Você fugiu de casa?

Pausa...
Olhar no chão, medo de me levar de volta.

Eu - Ah senhor, esse negócio aqui ta tão bom!
Ele - Já sei menina, você deve ter fugido de casa, acertei?

Silêncio...

Ele - Escuta, qual é seu nome?
Eu - Fernanda.
Ele - Escuta Fernanda, seus pais devem estar muito preocupados contigo, melhor me dizer onde mora, e eu te levo para casa. Daqui a pouco vai estar escuro e é perigoso uma menininha assim feito você ficar sozinha na rua.
Eu - Não tenho pais.
Ele - Não pode ser, uma menina linda feito você, deve ter uma família.
Eu - Eu não tenho moço, agora preciso ir.
Ele - Não vá menina, quer ir comigo para casa?
Eu - Não senhor.
Ele - Então amanhã vá lá para onde te encontrei que te dou café da manhã.
Eu - Ta bom!

No outro dia lá estava eu, esperando o café da manhã.
Não demorou seu Olavo chega, era esse seu nome.
Então comi pão e café preto e fomos catar latinha.
Passamos próximo aos brinquedos e às crianças que estavam brincando.
Fiquei olhando os brinquedos.

Ele disse, vá menina brinque em um.
Eu - Não posso senhor, esses brinquedos não são para criança como eu.
Ele - Mas o que tem você de diferente?
Eu - Sou uma menina de rua. E eles têm medo de pegar isso.
Ele - Quem lhe disse isso Fernanda?
Eu - Uma moça ontem.
Ele - Escute aqui menina! Você tem o direito de brincar em qualquer um desses brinquedos, está entendendo?

Silêncio...

Ele - Olhe para mim, menina somos todos iguais perante Deus, não deixe ninguém lhe dizer o contrário. Você pode brincar em todas as praças que quiser, estes brinquedos não pertencem apenas às crianças com lares, pertencem por direito a todas as crianças.
Então vá lá que eu fico te olhando daqui, vá!

Eu - Senhor, eu prefiro quando todos estiverem ido embora.
Ele ficou observando e depois...
Ele - Está bem então.
Fomos ao trabalho e depois na volta brinquei bastante em todos os brinquedos.
Ele disse menina, me diga a verdade.
Ele - Onde é sua casa?
Eu - Já disse, é na rua.
Ele - Mas como alguém iria ter coragem de largar uma menina tão graciosa na rua?
Eu - Não largaram na rua senhor, foi num orfanato.
Ele - Ah!!!

Ele - Então você fugiu de lá não foi?
Eu - Sim.
Ele - Está bem agora vamos arrumar um lugar para se banhar e limpar esse rosto.
Eu - Eu já me banhei senhor.
Ele - Mas como menina, seu rosto está todo preto de sujo!
Eu - Não é sujo, é graxa.
Ele - Porque passou graxa no rosto?
Eu - O anjo mandou.
Ele - Que anjo é esse?
Eu - Esse que está aqui ó!
Ele - Para quê?
Eu - Para ficar protegida.
Ele - Bom, está bem.
Ele - Acho que vou precisar levar você comigo, para que não fique por aí sozinha.
Eu - Senhor não precisa, mas obrigada. Já vou amanhã eu volto para tomar café e catar latinha.
Ele - (Sorriu) Está bem menina, que Deus cuide de você.
Eu - Ele está cuidando, pode deixar.

Volto das lembranças e enxugo as lágrimas.
Não deixe meu Deus, uma criança sem lar, por favor!
Um lar é um castelo de príncipe ou princesa.
Onde os donos são o rei (pai) e uma rainha (mãe).
Um dia, irei ajudar com certeza nessa parte.
Vejo os filhos sem direções até tendo seus pais ao lado.
Alguns sem instruções e fazendo filhos sem a noção e base para educá-los.
Devia haver palestras nas praças, nas escolas, nas feiras, enfim precisamos dar base a quem não as tem.
Não gerem filhos por gerar.
Um filho é um presente divino, deve ser ensinado de maneira certa, deve ser amado e educado.
Escrevo e luto por essa causa, porque um dia quero que meus filhos saibam nos mínimos detalhes o que é o amor e sua base.
 

 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Não tens ...

(Autoria: Fernanda)
imagem: net



Não tens culpa alguma, se estás só nas calçadas.
Não tens culpa alguma se sentes tão fraco e só.
É que provar o fel tão pequenos, nos faz precisar de alguma coisa que possamos saber nossa.

Não tens culpa alguma se contemplas a vida com olhares de amargura, ou mel demais. Há sempre contrários onde só se caiu chuva das meninas dos olhos. Mas podemos ser suavidade, acredite.
Podemos dizer não ao que não acrescenta. Porque todo problema se pode resolver. Não tens culpa alguma se duvidas da mão estendia em tua direção.

Mas saiba, eu multipliquei tantos caminhos, e aprendi que o amor só chega mais forte em nossos corações, se a gente sentir a dor muito de perto. Nada que é grandioso nos chega sem merecimento. Nunca seremos melhores que Cristo, e do sofrimento dele não temos definição exata.

Não tens culpa alguma se estás maltrapilho, és somente uma criança carente, que não teve a possibilidade de ter uma ascendência. Não se culpe por isso, eu sei que a gente pensa que fez algo errado para não merecer um lar. Todos merecemos.
Acredita que não tens culpa de querer uma família, e fazer crescer nela os seus ramos. O que acontece é que és especial demais, porque aguentou o frio nas noites de chuva, ouviu o barulho do estomago e achava engraçado apesar de saber que a fome te consumia, que sorriu mesmo com as lágrimas banhando teu rosto de dor, porque simplesmente viu uma estrela na noite escura brilhando no céu. E que quando olhas todas aquelas crianças sendo felizes nos balanços da vida, se sente alegre com a sua alegria, mas se acha diferente porque está sujo e descalça.

Espera em Deus! Aquele que tudo pode, te faz poder também se acreditares em sua escolha. Ele te escolheu para carregar um pouco a mais, uma dor diferenciada, onde o amor está sendo testado de alguma forma. E mesmo que você só chore, há um grande prêmio depois.

Você aprende a valorizar as pequenas coisas, e estas pequenas coisas são gigantes para O pai do céu. Então percebe que amar valeu qualquer sacrifício. Persista mesmo todo machucado! Um dia serão só marcas. E as marcas serão apenas lições aprendidas.

Não tens culpa alguma, se teu corpo muda. E se você não compreende aquilo porque nunca ninguém te ensinou. Então pensa que tem algo ruim acontecendo, que está doente e não sabe o que fazer. Sabe? A gente descobre de um jeito ou de outro, a vida nos prepara em cada entrelinhas. Ninguém pode ser capaz de te culpar pelo que acontece sem você ter culpa. Só os “senhores da lei”, aqueles que querem ser os melhores te apontam, mas coitados não sabem o que fazem.

Não tens culpa alguma se muitas vezes tua voz fica presa quando ouve a palavra "mãe", e que o teu desespero em ter uma, te leva a pedir em muitas noites e dias para que ela se arrependa e volte. Ou te faça esperar por ela tanto tempo, até o dia que percebe que ela nunca, nunca virá. E que esse caminho que você trilhou cheio de mar nos olhos, vai fazer parte da sua vida até sempre, mesmo que você queira muito apagar.

Não tens culpa alguma, quando se fascina pelo céu, ele é fascinante e maravilhoso, e lá em cima mora um Deus que te deu o seu abrigo em todas aquelas noites que você pensou estar solitário. A maneira que ele encontrou foi te fazer um guerreiro para as batalhas na vida, te capacitou com o dom do amor e de acreditar. E saiba, ele nos deu a todos esse dom, mas alguns não perceberam e se deixaram seguir sem rumo na vida.

Não é fácil conviver com pequenos e grandes problemas, mas não desista de tentar solucioná-los. Você conseguirá. Eu sei que sim se tiver o Senhor do alto como seu protetor. Não esqueça nunca que Deus é leal, ele sabe o que a sua necessidade precisa.

A única coisa que terá que se culpar é se desistir de tentar. Não podemos desistir de ser melhores sempre. Não se deixe vencer pelas facilidades, se escolher algo por ser mais fácil. Você estará tirando o orgulho que aquele lá de cima sente por tua capacidade, mas jamais deixará de ser amado por isso. Os teus olhos podem ver e tua alma pode sentir o que precisa para subir cada degrau. As coisas fáceis estão estragadas na maioria das vezes.

Mas saiba: o que tu és já veio contigo, ninguém poderá mudar isso. Podes estar no meio dos lobos e continuará sendo um cordeiro e nada te acontecerá, porque tu tens o “caçador” e o livramento, a sabedoria e um anjo da guarda, um céu coberto do manto protetor, e um Deus, teu maior amigo.

E que Deus te abençoe todos os momentos do dia e da noite.
Amém!


 
 ♥

Perder tempo

(Autoria: Fernanda)
imagem: net

 
A brisa toca na cortina da janela. Num sussurro me faz sentir a sensação de contentamento, uma alegria terna, doce, bonita. Eu pensei em todas as vezes que eu olhava assim as ondas do mar. Não havia relógio marcando as horas, e o sol sempre me pegava acordada. As paredes inexistentes da minha casa eram sempre abstratas.
De lá eu podia ver o azul do céu. Que lindeza, eu pensava enquanto meus cabelos desgrenhados se aninhavam em meu rosto pequeno. Olhava a rua repleta de gente, é como assistir uma TV, muitos rostos se destacam, mas cada um tinha a sua fisionomia.

O aroma do café me hipnotizava, parecia ter gosto o cheiro.
Cantava sem tom a primeira melodia, mas a moeda que ganhara era brilhante, feito estrela na noite. E dava exatamente para o meu pão com manteiga e café com leite. Mastigava com gosto bem devagar, para sentir o sabor do pão e do café.

Se havia pobreza naquela menina que fui, naquele momento eu era princesa, porque aquele café da manhã ficou como uma das mais lindas lembranças que eu acumulei. Não, não era pobreza que me habitava, era fartura. Eu ria muito e imaginava demais.
Obrigada Deus, eu gritava diante do mar.

Você aceita um pedaço de pão?
Eu queria saber o que é perder tempo, pode me ensinar?
Já sabe quem disse né? Ouvi duas senhoras dizerem para um senhor.
É que eu estou tentando ficar inteligente, então seu Paulo disse que se eu observar as pessoas, e como elas são, e ler jornais vou ser inteligente. Ler jornais eu li lá na banca do seu Álvaro, e observar eu observei, mas não compreendi.

Contudo eu sei que Você observa a gente, todos os pedacinhos de tempo, até anoitecer e amanhecer. Então sei que sabe todas as respostas, porque você é Deus dos céus e meu amigo.

Eu gosto quando conversamos, parece que eu deixo de ser tão pequenina e cresço até aí. Sabe que eu sonhei com a estrela sol e vi Você pegar ele só com uma mão ? Depois fui no meu caderno de folhas soltas, que chamo vitorioso, e escrevi nele como você é. Acho que é mesmo daquele jeito. Um moço de olhos alegres e um riso estampado no rosto, mas cheio de marcas de amor.

Você disse que na sua casa tudo é que nem na minha, não há paredes nem teto. E que quando eu quisesse conversar, bastava só olhar fixamente para o céu e então nós dois iríamos conversar sobre muitas coisas, igual como estávamos fazendo no sonho daquele dia. Por isso estou aqui, olhando fixamente para a sua casa da minha casa, e queria muito saber o que é perder tempo.

Então escrevendo em meu caderno rabisquei, e quando percebi a resposta estava lá:

"Perder tempo é você deixar o sensato pelo impreciso.
É semear, e não regar.
Plantar sem adubo bom.
Ter um coração e não amar.
Ter braços e não abraçar.
Saber raciocinar e não falar de amor.
Observar uma lágrima e não perceber que o milagre começa na humildade de ser simples.
Lembrar tudo que eu criei e não se importar.
Perder tempo é deixar de viver no hoje o amor universal, nos lares, no trabalho, nos abrigos, nos hospitais, nos encarcerados.
Todos têm a minha imagem e semelhança, e no entanto se julgam extraordinários e melhores que os outros. Com arrogâncias, julgamentos e egoísmos.
Ensinei a amar o próximo, mostrei e vivi esse amor, e no entanto, o mundo inteiro está perdendo seu tempo com o desamor."

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Papai do céu "Noel"

(Autoria: Fernanda)
___________________



Poderia te pedir um presente neste natal, mas não me sinto merecedora disso.
Mas queria te pedir assim mesmo. Dê uma passada nos orfanatos, nos hospitais e nos asilos.
Peço-te isso mesmo sabendo que passas sempre por lá.
Você para mim não é superficialidade, nem nunca será.
Lembra daquela noite de natal, lá no orfanato? Eu sei que lembra.
Aquela noite que a Julinha ficou de castigo, porque me deu a bolacha dela?

Eu não sabia que ia acontecer aquilo, mas mesmo trocando com ela o castigo, meu coração não ficou feliz, é que eu queria que ela não tivesse sentido aquele medo todo.
As novidades sempre amedrontam, eu sabia, a Julinha não.
Hoje eu lembrei de fazer uma cartinha para deixar na árvore que montei, porque eu acredito em papai do céu Noel.
A minha lista é imensa, e peço desculpas por ela tá? Mas sei que você gosta que peçamos, por isso lá vai.

1 - Que o amor seja a água que mata a sede.
2 - E que as crianças de todas as raças e cores, sintam a bondade e o carinho do amor, afagando seus dias.
3 - Que não exista pessoas cruéis nos orfanatos, e que cuidem com carinho, daqueles que não tiveram culpa de estarem ali. Que sempre exista alguém que afague as suas tristezas e que diga que irá ficar tudo bem!
4 - Que o amanhã seja sempre esperado com alegria e tranquilidade.

5 - Que as lágrimas sempre tragam a tranquilidade, para aqueles que precisam dela para desabafar, extravasar.
6 - Que o sono sempre seja o descanso daqueles que sentem-se cansados.
7 - Que todos possam ter uma cama e um cobertor, e também que nunca seja permitido alguém dormir com fome.
8 - Que o outro seja capaz de perdoar, mesmo que para ele pareça impossível, e que o amor seja seu guia.

9 - Que eu esteja sempre presente para aqueles que precisarem de mim.
10 - Que os receios sejam enfrentados de frente com fé e esperança.
11 - Que cada imagem e semelhança sejam respeitadas, e que ninguém seja descriminado por aparência ou cor.
12 - Que as lembranças sejam sempre para nos incentivar a atos bons.

13 - Que cada machucado que outro faça por inveja, ou por ambição, seja uma noite de sono em alerta com sua consciência, porque ninguém deve ser invejado, visto que o Criador fez cada um de nós com amor de pai. Portanto, não devemos invejar nosso semelhante. Nem cobiçar algo que não lhes pertença.
14 - Que cada um encare seus problemas com fé e garra, para que seja assim digno de vitória.

15 - Que amar faça todo o sentido. Porque amando as lágrimas secam, as dores passam, o sorriso brota e o mundo ganha a paz.
16 - Que o tempo seja sempre usado para cultivar e aperfeiçoar.
17 - Que a luz de cada amanhecer, seja sempre recebida como dádiva a todos os povos.

18 - Que a bondade possa andar de mãos dadas com a simplicidade entre os homens.
19 - Que a liberdade de ir e vir seja sempre presente.
20 - Que ninguém chore por se sentir sozinho, ou esquecido.
21 - Que os asilos sejam visitados constantemente.
22 - Que haja muitos Pai Wilson e mãe Cris nesse mundo.

Papai do céu, sei que minha lista ainda é pequena diante da necessidade humana, mas não posso abusar né?
Para muitas pessoas, o papai Noel é um velhinho de barba bem branquinha, que ajuda as lojas a venderem mais.

A maioria das crianças não sabem o que realmente é o natal, e qual sua importância.
Elas fazem suas cartinhas e botam na árvore de natal, pedindo o brinquedo do ano.
Sem lembrar que a festa, a alegria é pelo o nascimento do amor. De Jesus.
Meu papai Noel nasceu num lugar bem simples, e foi gerado pelo amor de Deus. E amou o mundo de tal maneira que deu sua vida por nós.
Seu nome é Jesus.
Papai do céu, para mim não tenho nada a pedir, só tenho a agradecer, obrigada por tudo!

O que é o natal ?

(Autoria: Fernanda)
___________


Um dia sentei-me no meu habitual cantinho e presenciei um menino, saindo chorando e batendo os pés de uma loja, logo em seguida sua mãe chegou para acalmá-lo.
Pediu que não fizesse aquilo, pois só quem haveria de lhe dar o presente era o papai Noel, na noite de natal.
E que se ele ficasse daquela forma, o bom velhinho não o iria visitar.
O menino continuou emburrado, mas ela pediu que o motorista ficasse de olho nele, e entrou novamente na loja.

Eu - Menino, você está triste?
Ele não respondeu, apenas me olhava, depois de um tempo falou.
Menino - Por que seu rosto está sujo?
Eu - Porque preciso me proteger.
Menino - De quem?
Eu - Das maldades que moram nas ruas.

Menino - Quer um?
Eu - Não obrigada.
Menino - Não gosta de balas?
Eu - Não sei o sabor.
Menino - Então prova, irá gostar.
Eu - Se eu experimentar e sentir o sabor, vou sentir vontade de comer outra qualquer dia, e se eu não puder comer vou ficar triste, se eu não souber que gosto tem não vou desejar.
Menino - Você é estranha.
Eu - Eu sei...

Menino - Quer entrar e lavar o rosto?
Eu - Não.
Menino - O que vai pedir de presente no natal?
Eu - O que é o natal?
Menino – É dia de ganhar presentes, comer bolo, rabanada, dormir tarde, juntar a família e cear.
Eu - Gostei da parte de juntar a família.
Menino - E dos presentes?
Eu - Mas quer presente melhor que ter uma família?
Menino - Então você deixa uma carta na árvore de natal e espera o pai Noel trazer o presente.
Eu - E podemos pedir qualquer coisa?
Menino - Qualquer...

Eu - Não é papai do céu não?
Menino - É Noel!
Eu – Por que chorava ainda há pouco?
Menino - Porque queria um presente novo, já enjoei dos meus.
Eu - Então por que não doa seus brinquedos que já não gosta?
Menino - Porque são meus oras.
Eu - Mas quando não precisamos mais de alguma coisa, e o outro não tem, damos a ele.
Menino - Quer meus brinquedos enjoados?

Eu – Não estou falando de mim, estou falando de um orfanato, uma favela. Um lugar onde as pessoas pudessem ganhar sem esperar, entende? Elas quase não ganham brinquedos, e o brinquedo para uma criança é um alimentar de sonhos, que mais tarde podem realizar-se. Se uma menina ganha uma boneca, vai deixar fluir o que sua mãe passa a ela, a mãe por sua vez pode melhorar seus atos diante do tratamento do filho, pela dica da criança, que se espelha nela e assim vai.
O brinquedo é um abrir de coração e de mente.
O que uma criança sente, reflete na sua maneira de brincar.

Menino - Não entendi nada, você é muito estranha...
Eu - Estranha é a maneira que você tem de ver o natal. Se é para comemorar o natal, vamos comemorar
o amor entre as pessoas, as árvores, as flores, os bichos, as estrelas do céu, a amizade... O que acha do frio?
Menino - Não gosto.
Eu - Se alguém lhe pedisse um agasalho para passar o frio, você daria?
Menino - Talvez...
Eu - Quando sua mãe lhe negou o presente doeu?
Menino – Sim, fiquei bravo.

Eu - Doeu ou ficou bravo?
Menino - As duas coisas.
Eu – Sabe o frio que sente mesmo agasalhado em dias de chuva?
Menino – Sei, não gosto de frio.

Eu - Então pense numa pessoa nessa mesma chuva, só que sem nenhum agasalho. Sabe quantas vezes dói? Eu digo. 70x7, dói igual a lei do perdão.Há muita responsabilidade em saber perdoar.
Então não desrespeite o que Deus te deu com amor.
As crianças que vivem em orfanatos, os velhinhos que vivem em asilos, crianças que vivem nas ruas, Ele também ama, mas por um motivo que só ele conhece, precisaram nascer sem conforto nenhum. E assim alguns agradecem mesmo sem entender.

Menino - Não entendo o que diz menina. Você é estranha...
Eu - Eu sei, e você já disse isso... E infelizmente você não é um bom aprendiz.
Eu - Preciso ir, até...

Passaram-se alguns dias, e eu com o natal na cabeça.
Então entrei na igreja, e depois da missa, perguntei se o padre podia conversar um pouco comigo. Ele balançou positivamente a cabeça e fomos, para um banquinho lá no final.

Eu - O que quer dizer natal padre?
Padre - Quer dizer Jesus Cristo filha. O natal é o dia em que Jesus nasceu.
Eu - Então é festa dele?
Padre - Sim. Mas algumas pessoas, talvez a maioria delas, não acredite nisso.
Eu - Fiquei feliz de saber, agora preciso ir.
Padre só mais uma coisinha, o amor nasceu, então por que existem tantas guerras?

Padre - Porque o homem, não avaliou ainda o tamanho da paz.
Eu - Então não é dia do papai Noel, é dia do papai do céu!
Padre - Sim filha.
Eu - Já sei onde vou por minha cartinha de natal, obrigada senhor padre.
Padre - Não quer pão com café Fernanda?
Eu - Obrigada, mas a minha fome passou, quero olhar lá fora e agradecer a Deus pelo natal.
Padre - risos... Afagou a minha cabeça e ficou me olhando com ternura, vendo eu me afastar.
Fui para o parque, sentei e fiquei olhando tudo enfeitado. A noite chegou e eu continuava por lá. Estava encantada com a noite, as estrelas, e o céu.

Senhor, percebi agora que para Ti, o natal são todos os dias.
Eu tenho uma cartinha aqui comigo.
O papel estava num caderno, que eu peguei no meio do lixo, mas há muitas páginas limpas, e eu escolhi a mais limpinha, nem amassado tem.E sei que para ti o que importa, é a verdade nela.
A caneta foi seu Roberto quem me deu, o dono da loja de artesanato, lá perto da praia. Sabe quem é né Senhor? Aquele que era filho da dona Rosa da floricultura.

Bom... Como o padre disse que tu sabes de todas as coisas, até aquelas que estão bem escondidinhas dentro da gente, então sabe de quem eu falo...
A minha cartinha vou deixar aqui, no meio desse jardim, molhada pela chuva.


Senhor ensina o mundo a amar.
Dá meios para que as pessoas possam estudar, trabalhar, e semear.
Ajuda aqueles que não podem falar, com algum jeito fácil que o outro possa entender suas necessidades.
Faz todos os corações refletirem sobre o que é se amar e amar o outro.


Que as crianças sejam amadas independente de classe social, cor, ou credo.
Que as mães só engravidem de uma criança, quando puderem lhe dar a atenção merecida.
Que o trabalho do homem não venha em primeiro lugar que sua família.
Que a ternura seja sempre a porta para vencer a zanga.
Que nunca falte pão com manteiga e café com leite. Ah, e empada também!


Que o amor espalhado no mundo seja da forma que cada um precise sentir.
Que nunca nos abandone, mesmo que te deixemos triste.
Que o perdão seja tão forte que apague as nossas falhas tão grandes.
Que você seja sempre o talismã tatuado no meu espírito, porque sem você, eu não conseguiria ser, amar, semear.


Senhor quando pensava no natal, eu sabia que tinha algo muito precioso, como um tesouro que eu ainda não havia descoberto. Mas ele não era só compras, e festas como eu via e as pessoas diziam.
As estrelas fazem festa no céu, e nesta data o ar ganha um cheiro de amor, e mesmo sem se dar conta agente sente.


Numa flor há sentido seu existir, mas não há sentido nas lágrimas de tristeza.
No entanto elas molham rostos.
Senhor, você deve ficar tão triste quando escolhemos errado.


Sabe Senhor? Um dia se você permitir, vou conhecer a torre Eiffel, mas queria conhecer numa noite de natal. Um dia eu sonhei que iria encontrar minha mãe por lá. Sei que foi apenas um sonho, mas já que estou escrevendo uma cartinha, coloquei meu sonho. Mas se eu não conhecer a torre, não vou ficar triste, porque o caminho que você já tem para mim é o caminho certo, e eu caminho por onde você guiar.


Agora eu sei o que quer dizer o natal...
Quer dizer amar, suportar, resignação, confiar, doar, alimentar, abrigar.
Obrigada Senhor por ter nos mandado seu filho.
Por ele ter ficado entre nós com humildade e amor.


Sabe Senhor? Que este natal seja de agradecimentos, de reflexão...
Você tem ideia de como precisamos agradecer e refletir não é?
Eu sinto uma alegria tão bonita, eu sinto felicidade na alma.
Obrigada por eu não ter receio de demonstrar o meu amor pelas pessoas.
E o bom é que você sempre saberá sobre os nossos sentimentos.

O natal é transparência, trazer para luz o que estava escondido.
Porque você é verdade e eu te amo.
E eu aceitei esse presente como um milagre.
Porque tudo que amedronta é nada com tua presença.
Você é meu natal todos os dias.

Obrigada!.

Agora já vou, eu sei que a chuva é um milagre teu. Minha carta está em boas mãos.
Dentro do meu coração há estrelas brilhando por toda parte da Terra.
Há um sino tocando, e os anjos dizendo amém para as orações de paz.
Há uma pergunta tendo resposta em cada lágrima que cai numa face desesperada.
E se você me perguntasse o que mais desejo nesse momento, eu diria sem hesitar que é amor e paz.
Porque o amor nos conduz, e a paz é sua alma gêmea.
Um dia...
O natal irá ser como sempre foi, mas ninguém percebeu.

 
Natal, o que quer dizer?
Quando eu era criança, comecei a sentir que nessa aproximação do natal, as pessoas ficavam mais alegres. Visitavam muito as lojas, enfeitavam a casa, parecia uma festa.
Se era uma festa, alguém fazia aniversário, mas quem exatamente?
Todas as pessoas?
Todas as casas, prédios e ruas?
Eu particularmente sentia uma renovação na alma, porque presenciava mais carinho entre as pessoas.