★☾ ✿Gente - Miúda✿

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Era uma vez, uma garotinha que se chamava... Bora ler!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Amor

(Autoria: Fernanda)
Imagem: net


Oi Senhor do alto, vim parabenizar o teu filho e meu irmão Cristo.
Obrigada por tê -lo mandado aqui na terra, nos ensinar amar.
Sei que se ele não tivesse vindo, o mundo estaria feio de mais porque os homens seriam mais arrogantes, e menos humildes.
Um dia eu conheci a indiferença bem de pertinho, mas também conheci a humildade e a igualdade. Então decidi que para cada ato ruim eu buscaria dois bons, e assim poderia segurar de um lado, e outro a palavra ruim com coisas boas, e seria como um abraço de Deus, e então aquele ato ruim não teria forças para enraizar na vontade da gente. Assim poderíamos optar por ser bons, mesmo que em alguns momentos ficasse difícil.
Eu cresci um pouco e estou aprendendo a ser mãe e esposa, como aprendi a ser filha e irmã, mas ser irmã eu já sabia né?
Parabéns Jesus, por teu aniversário.
o presente que eu te dou é  minha gratidão e amor eterno. somos valiosos para ti, porque tu és AMOR.
Na nossa casa (lar) que também é o teu, estaremos reunidos com uma linda oração.
O que o Natal significa para a Fernandinha?
Amor, humildade, misericórdia,  respeito, carinho e união

FELIZ NATAL!
Fernanda.

sábado, 22 de março de 2014

Natal

(Autoria: Fernanda)
Imagem: Net



Natal, o que quer dizer?
Quando eu era criança, comecei a sentir que nessa aproximação do natal, as pessoas ficavam mais alegres. Visitavam muito as lojas, enfeitavam a casa, parecia uma festa.
Se era uma festa, alguém fazia aniversário, mas quem exatamente?
Todas as pessoas?
Todas as casas, prédios e ruas?
Eu particularmente sentia uma renovação na alma, porque presenciava mais carinho entre as pessoas.
Um dia sentei-me no meu habitual cantinho e presenciei um menino, saindo chorando e batendo os pés de uma loja, logo em seguida sua mãe chegou para acalmá-lo.
Pediu que não fizesse aquilo, pois só quem haveria de lhe dar o presente era o papai Noel, na noite de natal.
E que se ele ficasse daquela forma, o bom velhinho não o iria visitar.
O menino continuou emburrado, mas ela pediu que o motorista ficasse de olho nele, e entrou novamente na loja.
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Eu - Menino, você está triste?
Ele não respondeu, apenas me olhava, depois de um tempo falou.
Menino - Por que seu rosto está sujo?
Eu - Porque preciso me proteger.
Menino - De quem?
Eu - Da maldade que mora nas ruas.

Menino - Quer um?
Eu - Não obrigada.
Menino - Não gosta de balas?
Eu - Não sei o sabor.
Menino - Então prova, irá gostar.
Eu - Se eu experimentar e sentir o sabor, vou sentir vontade de comer outra qualquer dia, e se eu não puder comer vou ficar triste, se eu não souber que gosto tem não vou desejar.
Menino - Você é estranha.
Eu - Eu sei...

Menino - Quer entrar e lavar o rosto?
Eu - Não.
Menino - O que vai pedir de presente no natal?
Eu - O que é o natal?
Menino – É dia de ganhar presentes, comer bolo, rabanada, dormir tarde, juntar a família e cear.
Eu - Gostei da parte de juntar a família.
Menino - E dos presentes?
Eu - Mas quer presente melhor que ter uma família?
Menino - Então você deixa uma carta na árvore de natal e espera o pai Noel trazer o presente.
Eu - E podemos pedir qualquer coisa?
Menino - Qualquer...

Eu - Não é papai do céu não?
Menino - É Noel!
Eu – Por que chorava ainda há pouco?
Menino - Porque queria um presente novo, já enjoei dos meus.
Eu - Então por que não doa seus brinquedos que já não gosta?
Menino - Porque são meus oras.
Eu - Mas quando não precisamos mais de alguma coisa, e o outro não tem, damos a ele.
Menino - Quer meus brinquedos enjoados?

Eu – Não estou falando de mim, estou falando de um orfanato, uma favela. Um lugar onde as pessoas pudessem ganhar sem esperar, entende? Elas quase não ganham brinquedos, e o brinquedo para uma criança é um alimentar de sonhos, que mais tarde podem realizar-se.

Se uma menina ganha uma boneca, vai deixar fluir o que sua mãe passa a ela, a mãe por sua vez pode melhorar seus atos diante do tratamento do filho, pela dica da criança, que se espelha nela e assim vai.
O brinquedo é um abrir de coração e de mente.
O que uma criança sente, reflete na sua maneira de brincar.

Menino - Não entendi nada, você é muito estranha...
Eu - Estranha é a maneira que você tem de ver o natal. Se é para comemorar o natal, vamos comemorar 
o AMOR entre as pessoas, as árvores, as flores, os bichos, as estrelas do céu, a amizade... O que acha do frio?
Menino - Não gosto.
Eu - Se alguém lhe pedisse um agasalho para passar o frio, você daria?
Menino - Talvez...
Eu - Quando sua mãe lhe negou o presente doeu?
Menino – Sim, fiquei bravo.

Eu - Doeu ou ficou bravo?
Menino - As duas coisas.
Eu – Sabe o frio que sente mesmo agasalhado em dias de chuva?
Menino – Sei, não gosto de frio.

Eu - Então pense numa pessoa nessa mesma chuva, só que sem nenhum agasalho. Sabe quantas vezes dói? Eu digo. 70x7, dói igual à lei do perdão. Há muita responsabilidade em saber perdoar.
Então não desrespeite o que Deus te deu com amor.
As crianças que vivem em orfanatos, os velhinhos que vivem em asilos, crianças que vivem nas ruas, Ele também ama, mas por um motivo que só ele conhece, precisaram nascer sem conforto nenhum. E assim alguns agradecem mesmo sem entender.

Menino - Não entendo o que diz menina. Você é estranha...
Eu - Eu sei, e você já disse isso... E infelizmente você não é um bom aprendiz.
Eu - Preciso ir, até...

Passaram-se alguns dias, e eu com o natal na cabeça.
Então entrei na igreja, e depois da missa, perguntei se o padre podia conversar um pouco comigo. Ele balançou positivamente a cabeça e fomos, para um banquinho lá no final.

Eu - O que quer dizer natal padre?
Padre - Quer dizer Jesus Cristo filha. O natal é o dia em que Jesus nasceu.
Eu - Então é festa dele?
Padre - Sim. Mas algumas pessoas, talvez a maioria delas, não acredite nisso.
Eu - Fiquei feliz de saber, agora preciso ir.
Padre só mais uma coisinha, o AMOR nasceu, então por que existem tantas guerras?

Padre - Porque o homem, não avaliou ainda o tamanho da paz.
Eu - Então não é dia do papai Noel, é dia do papai do céu!
Padre - Sim filha.
Eu - Já sei onde vou por minha cartinha de natal, obrigada senhor padre.
Padre - Não quer pão com café Fernandinha?
Eu - Obrigada, mas a minha fome passou, quero olhar lá fora e agradecer a Deus pelo natal.
Padre - risos... Afagou a minha cabeça e ficou me olhando com ternura, vendo eu me afastar.
Fui para o parque, sentei e fiquei olhando tudo enfeitado. A noite chegou e eu continuava por lá. Estava encantada com a noite, as estrelas, e o céu.

Senhor, percebi agora que para Ti, o natal são todos os dias.
Eu tenho uma cartinha aqui comigo.
O papel estava num caderno, que eu peguei no meio do lixo, mas há muitas páginas limpas, e eu escolhi a mais limpinha, nem amassado tem. E sei que para ti o que importa, é a verdade nela.
A caneta foi seu Roberto quem me deu, o dono da loja de artesanato, lá perto da praia. Sabe quem é né Senhor? Aquele que era filho da dona Rosa da floricultura.

Bom... Como o padre disse que tu sabes de todas as coisas, até aquelas que estão bem escondidinhas dentro da gente, então sabe de quem eu falo...
A minha cartinha vou deixar aqui, no meio desse jardim, molhada pela chuva.
E na cartinha havia:


Senhor ensina o mundo a amar.
Dá meios para que as pessoas possam estudar, trabalhar, e semear.
Ajuda aqueles que não podem falar, com algum jeito fácil que o outro possa entender suas necessidades.
Faz todos os corações refletirem sobre o que é se amar e amar o outro.


Que as crianças sejam amadas independente de classe social, cor, ou credo.
Que as mães só engravidem de uma criança, quando puderem lhe dar a atenção merecida.
Que o trabalho do homem não venha em primeiro lugar que sua família.
Que a ternura seja sempre a porta para vencer a zanga.
Que nunca falte pão com manteiga e café com leite. Ah, e empada também!


Que o amor espalhado no mundo seja da forma que cada um precise sentir.
Que nunca nos abandone, mesmo que te deixemos triste.
Que o perdão seja tão forte que apague as nossas falhas tão grandes.
Que você seja sempre o talismã tatuado no meu espírito, porque sem você, eu não conseguiria ser, amar, semear.


Senhor quando pensava no natal, eu sabia que tinha algo muito precioso, como um tesouro que eu ainda não havia descoberto. Mas ele não era só compras, e festas como eu via e as pessoas diziam.
As estrelas fazem festa no céu, e nesta data o ar ganha um cheiro de amor, e mesmo sem se dar conta agente sente.


Numa flor há sentido seu existir, mas não há sentido nas lágrimas de tristeza.
No entanto elas molham rostos.
Senhor, você deve ficar tão triste quando escolhemos errado.


Sabe Senhor? Um dia se você permitir, vou conhecer a torre Eiffel, mas queria conhecer numa noite de natal. Um dia eu sonhei que iria encontrar minha mãe por lá. Sei que foi apenas um sonho, mas já que estou escrevendo uma cartinha, coloquei meu sonho. Mas se eu não conhecer a torre, não vou ficar triste, porque o caminho que você já tem para mim é o caminho certo, e eu caminho por onde você guiar.


Agora eu sei o que quer dizer o natal...
Quer dizer amar, suportar, resignação, confiar, doar, alimentar, abrigar.
Obrigada Senhor por ter nos mandado seu filho.
Por ele ter ficado entre nós com humildade e amor.


Sabe Senhor? Que este natal seja de agradecimentos, de reflexão...
Você tem ideia de como precisamos agradecer e refletir não é?
Eu sinto uma alegria tão bonita, eu sinto felicidade na alma.
Obrigada por eu não ter receio de demonstrar o meu amor pelas pessoas.
E o bom é que você sempre saberá sobre os nossos sentimentos.


O natal é transparência, trazer para luz o que estava escondido.
Porque você é verdade e eu te amo.
E eu aceitei esse presente como um milagre.
Porque tudo que amedronta é nada com tua presença.
Você é meu natal todos os dias.


Obrigada!.

Agora já vou, eu sei que a chuva é um milagre teu. Minha carta está em boas mãos.
Dentro do meu coração há estrelas brilhando por toda parte da Terra.
Há um sino tocando, e os anjos dizendo amém para as orações de paz.
Há uma pergunta tendo resposta em cada lágrima que cai numa face desesperada.
E se você me perguntasse o que mais desejo nesse momento, eu diria sem hesitar que é amor e paz.
Porque o amor nos conduz, e a paz é sua alma gêmea.
Um dia...
O natal irá ser como sempre foi, mas ninguém percebeu.


Há uma pergunta tendo resposta em cada lágrima que cai numa face desesperada.
E se você me perguntasse o que mais desejo nesse momento, eu diria sem hesitar que é amor e paz.
Porque o amor nos conduz, e a paz é sua alma gêmea.
Um dia...
O natal irá ser como sempre foi, mas ninguém percebeu.

Fernanda



° ★☾ ✿Gente - Miúda✿

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Um caderrno

(Autoria: Fernanda)
 

 
Não fica triste euzinha, um dia tudo vai ser alegria...

Mônica - Fernandinha preciso corrigir seu caderno amanhã, então não esqueça de trazer seu caderno e deixar o borrão em casa.
Ela - Tia pode corrigir esse, ele está bem arrumadinho olha!
Mônica - Fernandinha você já está me devendo a visita dos seus pais. Quer ficar sem nota pelo caderno?

Ela balançou a cabeça triste negativamente, e agora? Como iria arrumar um caderno para apresentar à professora? Ela não sabia das dificuldades de Fernandinha, e Fernandinha não queria contar, tinha receio de ser mandada embora da escola.

Senhor do alto, estou numa nervura só. Amanhã já está chegando e eu não tenho caderno. A tia pensa que as minhas folhas-caderno são um borrão, e você sabe que eu não disse nada, que tinha um caderno em casa, eu não tenho nem casa, quanto mais um caderno. O Senhor pode fazer um milagre destes que só o Senhor sabe fazer, e fazer cair daí de cima um caderno para eu trocar as letras desse para o ele?
Se não puder, eu também agradeço, mas não me deixa ser mandada embora da escola, eu preciso aprender a ser alguém. A dona Ivone disse lá na feira, que as pessoas precisam estudar para ser alguém um dia. Então como eu ainda sou só a Fernandinha e preciso aprender para ser alguém, me ajuda!

Na manhã seguinte, lá estava a Fernandinha olhando o outro lado do banco, embaixo dele e nada. Pronto! E agora? Sentou-se ao lado das suas folhas presas com um fio de plástico, verificou se tudo estava em ordem, foi no chafariz, lavou o rosto, passou as mãos nos cabelos para abaixá-los, e foi rumo à escola.

Chegando lá sentou-se na última carteira, baixou a cabeça e ficou bem quietinha. A professora Mônica entra na sala. Todos ficaram de pé, mas ela continuou sentadinha, para não fazer nenhum barulho. Quando de repente sem fazer chamada nem nada a tia fala em alto tom. Fernanda, queira por favor me trazer seu caderno.
Ela já não podia mais conter a ansiedade e levantando-se foi em direção à professora.

As folhas caíram de suas mãos, mas ela delicadamente as juntou e em seguida entregou à mestra.

Mônica - Por que está chorando querida?

Ela - São meus olhos tia, que estão com dó de mim.

Mônica - E por que seus olhos estão com dó de você?

Ela - Porque eles sabem que eu não tenho caderno.

Mônica - Mas este não é seu borrão?

Ela - Lembra que foi a senhora que disse isso?
É que foi a senhora que me mandou trazer o meu caderno e deixar o borrão em casa. Eu fiquei calada porque pensei que o caderno fosse muito, muito importante para senhora, então eu pensei que talvez se acontecesse um milagre, e o Senhor do alto me mandasse um caderno, tudo estava resolvido, mas Ele estava muito ocupado, muito mesmo, porque Ele tem que cuidar das pessoas do mundo inteiro.

Mônica - Venha cá, o que seus pais fazem?

Pausa...

Mônica - Não se acanhe querida, pode confiar em mim.

Ela - Eu confio.

Mônica - Por que sempre vem descalça para a escola?

Pausa...

Mônica - Amanhã peça à sua mãe para vir falar comigo, está bem?

Ela - Ela não vem tia.

Mônica - Virá querida entregue esse bilhete a ela, tenho certeza que ela virá.

Ela - Eu queria muito entregar, mas não posso.

Mônica - Fernanda, o que está acontecendo com você querida?

Pausa...

Então ela segurou o “caderno” corrigiu e prosseguiu a aula.
Na saída, ela tratou de novamente lembrar: não esqueça, venha com sua mãe amanhã.

Ela baixou novamente a cabeça e seguiu. No “seu” banco de praça, ficou olhando demoradamente para o céu.
Senhor do alto, eu gostava de ir para a escola, lá eu podia me alimentar e tinha amiguinhos, podia aprender, agora acabou. Eu não sei onde está minha mãe, eu não posso ter um caderno, e nem sandálias. Sabe? Eu nem acho caderno assim tão importante, as folhas que eu achei lá no lixão são mais legais, porque são folhas vitoriosas, elas continuaram bonitas no meio do lixo e eu pude aprender um montão de coisas nelas. Por que sempre há importância nas coisas desta forma? Por que eu tenho de ter um caderno? E por que ela quer que eu leve a minha mãe lá, se eu nem sei como ela é?

Então Fernandinha ficou sem ir à escola porque não tinha o que levar.
Num dia de domingo, dia muito bonito, ela ficou sentada na calçada vendo os meninos brincarem nos brinquedos. Ela não tinha alegria e nem vontade de brincar. As crianças brincavam animadas com seus pais, avós, enfim, ela apenas olhava.
Olhou novamente para o céu e perguntou: Quando eu for gente vou ter mãe? Nenhuma resposta... Ficou por ali até adormecer. Na manhã seguinte ela escuta alguém lhe chamar e tocar em seu rosto, era a tia Mônica.

Mônica - Fernanda, o que faz aqui dormindo no chão, no meio da rua? Pegando na mão de Fernandinha disse: venha, vamos até sua casa.

Ela - Já estou em casa tia.

Mônica - Como assim?

Ela - Eu sou moradora de rua, não tenho pais, nem caderno, nem sandália, não tenho escola, nem vou ser gente também.

Foi então que Fernandinha relatou sua história abraçada a alguém que dali por diante foi uma grande amiga.

(***) Nem sempre sabemos expressar o que dói, porque o que dói é muito difícil quando temos a idade para discernir, e para uma criança é dificílimo

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Imagem: net