★☾ ✿Gente - Miúda✿

★☾ ✿Gente - Miúda✿
Era uma vez, uma garotinha que se chamava... Bora ler!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Separação

(Autoria: Fernanda)
imagem da net


Ele era o menino mais doce de lá.
Ela o chamava de mano, porque o amava como irmão.
Os caminhos que passeavam todos os dias davam nas flores de um jardim muito bonito.
Naquele dia...

Ele - Quer ir ao jardim hoje Fernanda?
Ela - Não mano, hoje queria passear nas estórias apenas.
Ele - Mas as estórias, ficam mais bonitas quando tem perfume de flores.
Ela - Mas meu coração está apertado, ele não quer ir para lá.
Ele - Mas queria te mostrar a nova flor diferente que nasceu lá. Vem, não vamos demorar.
Segurando sua mão ele a guiou até o lugar.
Nem deu tempo de chegar e se ouviu um estouro. Mano foi caindo devagarzinho ao chão, os olhos dele foram fechando e sua mão soltando da minha.

O moço de farda olhou dentro dos meus olhos e disse: Escuta aqui menina, você não viu nada.
Lhe respondi, mas eu não vi mesmo moço, mas por favor socorre meu maninho, ele está dormindo e não quer acordar.
Aquilo durou muito, e entre lágrimas ela foi entendendo que o mano dormiu para sempre, não iriam mais ao jardim, nem passear de mãos dadas na praça. As estorinhas que ambos se contavam iriam ficar na sua lembrança.

Era outro golpe forte para uma menina.
Seu coração parecia estar partido porque lhe doía até a alma.
Olhou para o céu, ele estava mais azul, o sol mais brilhante, e os pássaros resolveram dançar um balé raro nas nuvens.

Ela deixou as lágrimas rolarem bastante, depois olhou novamente para o céu e disse: Senhor do alto, por que deixou um homem tão malvado me tirar um anjo? Talvez um dia eu entenda, mas por agora, a única coisa que sei contar é dessa dor que rasga meu ser inteiro, e me faz querer chorar um mundo.
Passando uns dias ela se lembrou da flor que mano lhe falara, então caminhou rumo ao jardim e viu ali uma linda flor branca. Mas quem a segurava era ele.

Ela correra a seu encontro muito feliz e o abraçou, foi um abraço tão cheio de ternura.
Ele disse: vim te deixar esta flor, e dizer que não fique triste, eu estou num lugar tão bonito cheio de meninos e meninas de asas. Mas sempre que se lembrar de mim, estarei contigo.
O que mata o sentimento é o medo de senti-lo.
O que faz o amor permanecer vivo é a pureza de amar.
Não se esqueça.

Acordei ao lado de uma linda flor,
mas até hoje tenho a certeza que não foi um sonho aquilo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Horizonte

(Autoria: Fernanda)


Horizonte...
A menina ficava lembrando da conversa de um casal de velhinhos que descansavam sobre a areia da praia.
Ela fazia seus castelos todos os dias ali.
Eles comentavam sobre como é difícil sentir saudades. A senhora dizia que há muitos anos lembrava daquele encontro entre os dois, e que ao lembrar sentia uma certa nostalgia.
O senhor por sua vez, segurou-lhe uma das mãos e lhe disse beijando-a:
Não sinta meu amor, estamos os dois aqui juntinhos, fitando o horizonte.
Isso se chama Dádiva.
Ela ficou com aquelas duas palavras em sua cabeça. Achou-as tão bonitas.
(Horizonte e Dádiva)...

O que será que queria dizer aquilo?
Nisso o senhor levanta e deixa cair seus óculos sobre ela e depois ao chão.
Ele disse: oh minha pequena desculpe-me, não havia percebido você aí.
Ela - Não tem porque senhor, está tudo bem. Nisso juntou o óculos do chão e lhe devolveu.
Ele por sua vez disse-lhe: Que castelo mais lindo você fez minha criança.
Ela - Gostou mesmo?
Ele - Muito lindo, e o bom disso é que já tem uma princesa para morar nele.
Ela olhou em volta e seus olhos fitaram os olhos da senhora, então ela disse: Está bem pode ficar de presente para a sua princesa, ela merece.
Os dois riram-se e ela também.
Depois ele completou, estava falando de você... É... Como é mesmo que se chama criança?
Ela - Fernanda senhor.
Ele - Então Fernanda, a princesa desse castelo é você.

Ela - Não senhor, eu nunca serei princesa.
Ele - Porque diz isso? Você é uma criança tão bonita!
Ela - Obrigada senhor, mas para ser uma princesa precisaria ter uma origem, e isso eu nunca tive. Lugar onde uma pessoa ou coisa nasceu ou teve origem, quer dizer, tive mais não sei onde estão.
Ele - Sua mãe não lhe disse que mentir cresce o nariz?
Ela - Não senhor. Mas eu sei que não devemos mentir nunca, nunca!
Ele - Então não diga mais isso, porque sua mãe e seu pai podem ficar muito tristonhos com você, ouviu mocinha?
Ela - Sim senhor.

Ele - Quer uma água?
Ela – Sim, obrigada!
Então sua esposa lhe disse: Querida sente-se aqui debaixo do guarda-sol, já está tão vermelha. Sua mãe não lhe passou protetor?
Ela - Não senhora, mas já estou acostumada.
A senhora - Tenho receio de que tenha alergia, então melhor não passar, mas fique sentada aqui conosco, quando ela vir eu perguntarei.

Pausa... Ela não faz juízo de que minha mamãe não virá...
Então ficou olhando para o mar sem tirar o olhar, a senhora lhe interpelou: Em que pensas menina Fernanda?
Ela - Estou pensando no horizonte e na dádiva!
A senhora - Mas o que a faz pensar neles?
Ela - Eu queria saber o que significam, porque acho as duas palavras tão lindas.
A senhora então começou a falar do horizonte, que ele era uma ponte entre o céu e a terra.
Quando ouviu aquilo, ficou tão maravilhada.

Ela - Mas como faço para andar nessa ponte senhora?
A senhora - Basta olhar ao longe querida, como estava fazendo ainda há pouco.
Ela - Então eu estava andando nessa ponte?
A senhora - Sim.
Ela - Então todos os dias eu ando na ponte, porque fico rezando, ou lembrando dos meus amiguinhos lá do órfã.... Ops!

Eles se entreolharam, então a senhora perguntou: Querida, acho que sua mãe não virá não é mesmo?
Baixou a cabeça e depois balançou negativamente.
A senhora - E há alguém responsável por você, que esteja aqui na praia?
Ela - A senhora não explicou o que é dádiva!
A senhora - Está bem querida, não vamos falar nesse assunto. Irei explicar para você, o que quer dizer dádiva. É algo que ganhamos de alguém, um presente, uma graça divina, dinheiro para comprar algo que queremos muito como uma água, um sanduíche. Entendeu?

Ela - Sim senhora, eu ganhei agorinha mesmo a dádiva do seu esposo. Assim como ganho a graça divina de Deus todos os dias. Ele me deixa ver o sol, o mar, a senhora, o seu esposo, a areia que faço os castelos. Deixa-me correr pela praia, falar com ele, poxa! Eu tenho tantos presentes!
A senhora - Menina, você me emocionou. Sabe? Eu gostei muito da sua companhia, e gostei tanto que vou convidar você para almoçar conosco, e por favor, não diga que não.
Ela - Está bem eu não direi.

A senhora - Fernandinha, sendo minha convidada pode pedir o que quiser está bem?
Ela - Está.
O garçom chegou, olhou para ela no meio deles, apertou sua bochecha e disse: Aí Fernandinha, fez novos amigos?
Ela - Sim senhor Cláudio.
Cláudio - Muito bem! Ela é muito querida aqui na praia.
A senhora - Nós percebemos.

Cláudio - O que quer almoçar Fernandinha? O de sempre?
Ela – Sim, por favor.
Então ele trouxe café com leite e pão com manteiga.
A senhora - Mas isso não é almoço Fernanda, isso é café da manhã.
Ela - É que para mim são as duas coisas senhora, não se preocupe. Devo acostumar com o que posso e o que posso é isso aqui.

A senhora - Não estou entendendo, explique-se melhor.
Ela - É que se eu pedir outra coisa, posso gostar, e amanhã não posso comprar, e então vou ficar triste e isso eu posso. Cada castelo que faço na areia, eles me dão moedas, e daí venho aqui e almoço. Não se preocupe senhora, um dia vou ter a dádiva de comer outras coisas. Devo acostumar com o que posso ter.
A senhora - Mas nem eu pagando o que quiser comer?

Ela - Mas a senhora não irá pagar isto aqui?
A senhora - Sim, por isso gostaria que comece outra coisa.
Ela - Mas amanhã não poderei. Mesmo que eu fite o horizonte e fique na ponte, eu ainda não estou pronta. Agora preciso ir, obrigada pelo presente.
A senhora - Que presente minha querida?

Ela - Tudo que aprendi hoje, e conheci através de vocês. Que Deus os ajude mais ainda.
Então, ela satisfeita, seguiu para seu cantinho de descanso, pensando no horizonte e na dádiva.
Agora nunca mais iria esquecer palavras tão belas.
E quando estivesse na ponte, lembraria de mandar um beijo para Jesus, o seu amigo de todas as horas. E fitando o horizonte a menina chorou.



domingo, 30 de outubro de 2011

Cautela

(Autoria: Fernanda)





Meticulosa a menina seguiu na selva de pedra.
Rosto sujo de graxa,
Era prudência diante das noites nas calçadas.
Taciturna deixava sua mudez acarinhar a garganta.
Porque o véu que cobria o mundo,
Se desvendava para ela através de um anjo.
Ela - Anjo, você não dorme?
Anjo - Não menina, os anjos só cuidam e reverenciam a Deus.
Ela - Estou com fome, você não sente fome anjo?
Anjo - Sim, de oração menina.
Ela - Queria sentir fome de oração também anjo, mas as minhas palavras saem fracas, como quem apenas dança, sem o ponto certo do equilíbrio.
Anjo - Não menina, suas palavras são orações, e sua fome nelas é olhada bem do alto.
Ela - Então vou dormir, minha fome passou. Boa noite anjo.
Anjo - Boa noite menina.