★☾ ✿Gente - Miúda✿

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Era uma vez, uma garotinha que se chamava... Bora ler!

sábado, 3 de setembro de 2011

Tragetória

(Autoria: Fernanda)


Era um dia de sol, desses que vem bem pertinho da gente com seu “bafo quente”.
Fernandinha havia amanhecido molinha, e ainda continuava deitada no “seu” banco de praça.
De repente chega um moço de farda e bate em suas pernas com força e diz: levanta daí menina, o que andou cheirado?
Fernandinha - Nada seu moço, apenas as flores do parque que vieram exalar seu perfume, elas vem todos os dias sabe?

Moço de farda - Que conversa é essa moleca, saia daí, antes que eu te leve ao serviço social.
Fernandinha levanta com esforço e fica de pé ao lado do banco.
Moço de farda - O que faz por aqui? Se te vir pedindo ou roubando, já sabe onde irá parar.
Fernandinha - Eu durmo aqui senhor.
Moço de farda - E onde estão seus pais?
Fernandinha - Podemos mudar de assunto?
Moço de farda - Já sei, seus pais estão por aí esperando você pedir dinheiro não é? Depois levar para eles, acertei?
Fernandinha - Não! Não acertou em nada.

Moço de farda - Seus olhos estão vermelhos, andava cheirando cola?
Fernandinha - Não senhor, não faço estas coisas, isso é errado.
Moço de farda - Vem cá, sente aqui.
Nisso o moço sentiu que a menina estava muito quente, então colocou a mão em seu pulso, sua face e perguntou: o que está sentindo?
Fernandinha - Minha cabeça dói, minha garganta também.
Moço de farda - Você está com febre garota, vá para casa, cuida!
Fernandinha olhou para o moço, dizendo somente para si: mas já estou em casa.
Depois, se pôs a caminhar em direção a algum outro banco.

Ela apenas queria ficar quietinha, para ver se aquilo que sentia passava.
Encontrou outro banco numa praça, onde havia muitas crianças brincando.
Ela ficou por ali, num cantinho do banco, rosto sujo de graxa e pés descalços.
Estava o mais quietinha que podia, para não incomodar ninguém com sua presença por lá. Geralmente sempre acontecia de alguém implicar. Pensando nisso e com a moleza que sentia no copinho todo, preferiu se encolher no banco e ficar apenas observando.
Uma senhora se aproximou e perguntou.

Olá menina! Qual seu nome?
Ela responde – Fernanda senhora.
Senhora - O que faz aqui nesse banco sozinha Fernanda?
Fernandinha - Estou precisando ficar deitada senhora.
Senhora - Está se sentindo mal querida?
Fernandinha – É só uma moleza, mas já vai passar.
Senhora – Você deveria estár brincando há horas, para estar toda suja desse jeito. Sua mãe não irá ficar irritada com você por isso?

Fernandinha fica quietinha pensando no que a senhora falou, olhou em volta e viu todas aquelas crianças acompanhadas, cada vez que uma escorregava havia uma moça segurando embaixo para que ela não se machucasse. Deveria ser bom sentir aquilo.
Nisso a senhora pergunta outra vez.
Está se sentindo bem querida?
Fernandinha - Por quê senhora?
Senhora - Está chorando, está te doendo alguma coisa?
Fernandinha - A senhora é mãe de alguma dessas crianças?
Senhora - Aquela ali de saia vermelha é Olivia minha neta.
Fernandinha - E aquela moça ali é a mãe dela?
Senhora - Sim é minha filha Sheila.
Fernandinha - Olivia deve sentir-se muito amada e feliz, tem vocês pertinho para cuidar dela. Se ela ficasse dodói, iria ter carinho, e cobertor para aquecê-la se sentisse frio. Eu fico feliz por ela.

Senhora - Mas sua mãe faria a mesma coisa com você querida.
Fernandinha - É eu sei. As mães sempre nos cuidam com muito amor. O Senhor do alto, é tão sábio, sabia exatamente que uma criança precisa de um anjo cuidador ao seu lado, por isso criou as mães e os pais.
Nisso a senhora tira um lenço da bolsa, molha numa garrafa com água, e se aproxima de Fernandinha.
Fernandinha ao vê-la derramando a água no lenço, engole a saliva com dor, estava com sede, mas o moço de farda disse que ela não podia pedir, se o fizesse ele a levaria para a assistente social. Então ficou quietinha apenas observando a senhora.

A senhora chegou pertinho dela, e começou a limpar a graxa que ela havia passado no rosto. A menina sabia que não devia deixar, mas a água parecia refrescar tão bom seu rosto quente.
A senhora espantou-se com a quentura de seu rosto, a tocou de novo no braço e disse: menina você está ardendo em febre. Por que não disse que se sentia mal?
Venha vamos até sua casa.
Fernandinha - Senhora estou bem, por favor!
Senhora - Vamos procurar sua mãe, venha.
Fernandinha - Ela não está aqui senhora, eu já preciso ir.

Senhora - Me diga onde mora, levamos você em casa. Chamou então a filha e a neta, e explicou a situação. A garotinha e a mãe lhe olhavam de cima abaixo, então a filha concordou e elas saíram com Fernandinha para irem encontrar sua mãe.
Nisso passaram em frente a uma igreja, então Fernandinha lhe diz.
Senhora pode me deixar aqui, daqui vou lá com minha mãe que está aí dentro.
Senhora - Está bem, então se cuide querida, nos vemos qualquer dia na praça está bem?
Fernandinha acenou que sim e entrou na igreja.
Antes, se voltou para vê-las indo embora, iam tão lindas as três.


Entrou na igreja, fez o sinal da cruz e se aproximou da imagem da Nossa Senhora.
Mãe do céu, eu vim aqui contigo, porque você é minha mãe, a única mãe que conheço por ser a mãe do Jesus nosso irmão.
Sempre venho aqui antes de ir ouvir o moço tocar a viola dele no restaurante, hoje acordei dodói, e acho que Deus já te contou o que aconteceu até agora, então passei aqui mais tarde. Mas hoje não vou lá assistir o moço tocar a viola, não me sinto bem.
Então vim atrás do teu carinho de mãe, mas como você está com Jesus nos braços, vou deitar ali naquele banco e ficar aqui contigo, já é o bastante.
Fernandinha deitou, dormiu e sonhou que Nossa Senhora a carregava também no colo.
Jesus de um lado e ela do outro.
O sorriso da mãezinha do céu era como o sol brilhante e claro.
O carinho dela era como se o coração sentisse uma alegria infinita.
E a voz dela chamando-a de minha menina, era indescritível.
Sempre estarei aqui, em qualquer situação.
Sou sua mãe do céu e nenhum dia te direi adeus.
Quando acordou, estava sem febre.
Foi lá pertinho da Nossa Senhora e agradeceu.
Mãezinha, obrigada pelo carinho, agora estou completa e curada.
Agradeceu novamente e foi ouvir a música e aprender a tocar viola.

7 comentários:

  1. Viva a vida com muito amor.
    Mate saudades,enquanto é tempo.
    Peça perdão ,mesmo que seja você o ofendido.
    Recupere o tempo perdido ,procurando ser feliz nas coisas de Deus.
    Faça um carinho,alegrando alguém que esta triste.
    A todo instante,fale uma palavra especial para
    quem necessita ouvir.
    Com seu amor podera fazer mudanças em muitas vidas.
    Creia você pode não mudar tudo nesse Mundo.
    Mais poderá fezer no coração de muitos.
    A morada de Deus.
    Uma feliz tarde de Domingo na paz e na luz de Jesus.
    Bjs no coração.
    Evanir
    Lindo já seguindo

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  2. Fernanda,

    Quando venho aqui e vejo que postou algo, já procuro limpar a garganta e os olhos porque sei que sairei emocionado! Depois, fico ancioso esperando a continuidade da história...

    Beijos :)

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  3. Olá Fernanda,
    Vim conhecer mais um capítulo de sua trajetória. Sempre encontro muita emoção.
    Beijos, querida.

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  4. Tantas histórias tens pra contar...Coisas que emocionam...um beijo,chica

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  5. Oi amiga
    vim ler as postagem rs
    li a antiga que tinha perdido
    como prometi
    sempre estarei aqui.
    Difícil foi sua infância
    e o que mais me encanta
    é ver que mesmo através de poema
    eu conheço
    quem és hoje.
    linda semana

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  6. Sabes contar uma história muito bem.
    Beijos, querida Fernanda.

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  7. Fernanda

    vou me repetir te dizendo da emoção ao ler suas lembranças.

    Isto que você narrou, eu conheço, sei exatamente o que é nos aconchegar no colo da mãe em sua casa e sair de lá livre do que incomodava, parece mágica, mas não é, é amor que vem do alto. Quem já vivenciou, sabe.

    Um beijo enorme querida minha

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Eu sei que ainda estou crescendo e acrescentando o amor em cada degrau.