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Era uma vez, uma garotinha que se chamava... Bora ler!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Perder tempo

(Autoria: Fernanda)
imagem: net

 
A brisa toca na cortina da janela. Num sussurro me faz sentir a sensação de contentamento, uma alegria terna, doce, bonita. Eu pensei em todas as vezes que eu olhava assim as ondas do mar. Não havia relógio marcando as horas, e o sol sempre me pegava acordada. As paredes inexistentes da minha casa eram sempre abstratas.
De lá eu podia ver o azul do céu. Que lindeza, eu pensava enquanto meus cabelos desgrenhados se aninhavam em meu rosto pequeno. Olhava a rua repleta de gente, é como assistir uma TV, muitos rostos se destacam, mas cada um tinha a sua fisionomia.

O aroma do café me hipnotizava, parecia ter gosto o cheiro.
Cantava sem tom a primeira melodia, mas a moeda que ganhara era brilhante, feito estrela na noite. E dava exatamente para o meu pão com manteiga e café com leite. Mastigava com gosto bem devagar, para sentir o sabor do pão e do café.

Se havia pobreza naquela menina que fui, naquele momento eu era princesa, porque aquele café da manhã ficou como uma das mais lindas lembranças que eu acumulei. Não, não era pobreza que me habitava, era fartura. Eu ria muito e imaginava demais.
Obrigada Deus, eu gritava diante do mar.

Você aceita um pedaço de pão?
Eu queria saber o que é perder tempo, pode me ensinar?
Já sabe quem disse né? Ouvi duas senhoras dizerem para um senhor.
É que eu estou tentando ficar inteligente, então seu Paulo disse que se eu observar as pessoas, e como elas são, e ler jornais vou ser inteligente. Ler jornais eu li lá na banca do seu Álvaro, e observar eu observei, mas não compreendi.

Contudo eu sei que Você observa a gente, todos os pedacinhos de tempo, até anoitecer e amanhecer. Então sei que sabe todas as respostas, porque você é Deus dos céus e meu amigo.

Eu gosto quando conversamos, parece que eu deixo de ser tão pequenina e cresço até aí. Sabe que eu sonhei com a estrela sol e vi Você pegar ele só com uma mão ? Depois fui no meu caderno de folhas soltas, que chamo vitorioso, e escrevi nele como você é. Acho que é mesmo daquele jeito. Um moço de olhos alegres e um riso estampado no rosto, mas cheio de marcas de amor.

Você disse que na sua casa tudo é que nem na minha, não há paredes nem teto. E que quando eu quisesse conversar, bastava só olhar fixamente para o céu e então nós dois iríamos conversar sobre muitas coisas, igual como estávamos fazendo no sonho daquele dia. Por isso estou aqui, olhando fixamente para a sua casa da minha casa, e queria muito saber o que é perder tempo.

Então escrevendo em meu caderno rabisquei, e quando percebi a resposta estava lá:

"Perder tempo é você deixar o sensato pelo impreciso.
É semear, e não regar.
Plantar sem adubo bom.
Ter um coração e não amar.
Ter braços e não abraçar.
Saber raciocinar e não falar de amor.
Observar uma lágrima e não perceber que o milagre começa na humildade de ser simples.
Lembrar tudo que eu criei e não se importar.
Perder tempo é deixar de viver no hoje o amor universal, nos lares, no trabalho, nos abrigos, nos hospitais, nos encarcerados.
Todos têm a minha imagem e semelhança, e no entanto se julgam extraordinários e melhores que os outros. Com arrogâncias, julgamentos e egoísmos.
Ensinei a amar o próximo, mostrei e vivi esse amor, e no entanto, o mundo inteiro está perdendo seu tempo com o desamor."

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Eu sei que ainda estou crescendo e acrescentando o amor em cada degrau.