★☾ ✿Gente - Miúda✿

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Era uma vez, uma garotinha que se chamava... Bora ler!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Horizonte

(Autoria: Fernanda)


Horizonte...
A menina ficava lembrando da conversa de um casal de velhinhos que descansavam sobre a areia da praia.
Ela fazia seus castelos todos os dias ali.
Eles comentavam sobre como é difícil sentir saudades. A senhora dizia que há muitos anos lembrava daquele encontro entre os dois, e que ao lembrar sentia uma certa nostalgia.
O senhor por sua vez, segurou-lhe uma das mãos e lhe disse beijando-a:
Não sinta meu amor, estamos os dois aqui juntinhos, fitando o horizonte.
Isso se chama Dádiva.
Ela ficou com aquelas duas palavras em sua cabeça. Achou-as tão bonitas.
(Horizonte e Dádiva)...

O que será que queria dizer aquilo?
Nisso o senhor levanta e deixa cair seus óculos sobre ela e depois ao chão.
Ele disse: oh minha pequena desculpe-me, não havia percebido você aí.
Ela - Não tem porque senhor, está tudo bem. Nisso juntou o óculos do chão e lhe devolveu.
Ele por sua vez disse-lhe: Que castelo mais lindo você fez minha criança.
Ela - Gostou mesmo?
Ele - Muito lindo, e o bom disso é que já tem uma princesa para morar nele.
Ela olhou em volta e seus olhos fitaram os olhos da senhora, então ela disse: Está bem pode ficar de presente para a sua princesa, ela merece.
Os dois riram-se e ela também.
Depois ele completou, estava falando de você... É... Como é mesmo que se chama criança?
Ela - Fernanda senhor.
Ele - Então Fernanda, a princesa desse castelo é você.

Ela - Não senhor, eu nunca serei princesa.
Ele - Porque diz isso? Você é uma criança tão bonita!
Ela - Obrigada senhor, mas para ser uma princesa precisaria ter uma origem, e isso eu nunca tive. Lugar onde uma pessoa ou coisa nasceu ou teve origem, quer dizer, tive mais não sei onde estão.
Ele - Sua mãe não lhe disse que mentir cresce o nariz?
Ela - Não senhor. Mas eu sei que não devemos mentir nunca, nunca!
Ele - Então não diga mais isso, porque sua mãe e seu pai podem ficar muito tristonhos com você, ouviu mocinha?
Ela - Sim senhor.

Ele - Quer uma água?
Ela – Sim, obrigada!
Então sua esposa lhe disse: Querida sente-se aqui debaixo do guarda-sol, já está tão vermelha. Sua mãe não lhe passou protetor?
Ela - Não senhora, mas já estou acostumada.
A senhora - Tenho receio de que tenha alergia, então melhor não passar, mas fique sentada aqui conosco, quando ela vir eu perguntarei.

Pausa... Ela não faz juízo de que minha mamãe não virá...
Então ficou olhando para o mar sem tirar o olhar, a senhora lhe interpelou: Em que pensas menina Fernanda?
Ela - Estou pensando no horizonte e na dádiva!
A senhora - Mas o que a faz pensar neles?
Ela - Eu queria saber o que significam, porque acho as duas palavras tão lindas.
A senhora então começou a falar do horizonte, que ele era uma ponte entre o céu e a terra.
Quando ouviu aquilo, ficou tão maravilhada.

Ela - Mas como faço para andar nessa ponte senhora?
A senhora - Basta olhar ao longe querida, como estava fazendo ainda há pouco.
Ela - Então eu estava andando nessa ponte?
A senhora - Sim.
Ela - Então todos os dias eu ando na ponte, porque fico rezando, ou lembrando dos meus amiguinhos lá do órfã.... Ops!

Eles se entreolharam, então a senhora perguntou: Querida, acho que sua mãe não virá não é mesmo?
Baixou a cabeça e depois balançou negativamente.
A senhora - E há alguém responsável por você, que esteja aqui na praia?
Ela - A senhora não explicou o que é dádiva!
A senhora - Está bem querida, não vamos falar nesse assunto. Irei explicar para você, o que quer dizer dádiva. É algo que ganhamos de alguém, um presente, uma graça divina, dinheiro para comprar algo que queremos muito como uma água, um sanduíche. Entendeu?

Ela - Sim senhora, eu ganhei agorinha mesmo a dádiva do seu esposo. Assim como ganho a graça divina de Deus todos os dias. Ele me deixa ver o sol, o mar, a senhora, o seu esposo, a areia que faço os castelos. Deixa-me correr pela praia, falar com ele, poxa! Eu tenho tantos presentes!
A senhora - Menina, você me emocionou. Sabe? Eu gostei muito da sua companhia, e gostei tanto que vou convidar você para almoçar conosco, e por favor, não diga que não.
Ela - Está bem eu não direi.

A senhora - Fernandinha, sendo minha convidada pode pedir o que quiser está bem?
Ela - Está.
O garçom chegou, olhou para ela no meio deles, apertou sua bochecha e disse: Aí Fernandinha, fez novos amigos?
Ela - Sim senhor Cláudio.
Cláudio - Muito bem! Ela é muito querida aqui na praia.
A senhora - Nós percebemos.

Cláudio - O que quer almoçar Fernandinha? O de sempre?
Ela – Sim, por favor.
Então ele trouxe café com leite e pão com manteiga.
A senhora - Mas isso não é almoço Fernanda, isso é café da manhã.
Ela - É que para mim são as duas coisas senhora, não se preocupe. Devo acostumar com o que posso e o que posso é isso aqui.

A senhora - Não estou entendendo, explique-se melhor.
Ela - É que se eu pedir outra coisa, posso gostar, e amanhã não posso comprar, e então vou ficar triste e isso eu posso. Cada castelo que faço na areia, eles me dão moedas, e daí venho aqui e almoço. Não se preocupe senhora, um dia vou ter a dádiva de comer outras coisas. Devo acostumar com o que posso ter.
A senhora - Mas nem eu pagando o que quiser comer?

Ela - Mas a senhora não irá pagar isto aqui?
A senhora - Sim, por isso gostaria que comece outra coisa.
Ela - Mas amanhã não poderei. Mesmo que eu fite o horizonte e fique na ponte, eu ainda não estou pronta. Agora preciso ir, obrigada pelo presente.
A senhora - Que presente minha querida?

Ela - Tudo que aprendi hoje, e conheci através de vocês. Que Deus os ajude mais ainda.
Então, ela satisfeita, seguiu para seu cantinho de descanso, pensando no horizonte e na dádiva.
Agora nunca mais iria esquecer palavras tão belas.
E quando estivesse na ponte, lembraria de mandar um beijo para Jesus, o seu amigo de todas as horas. E fitando o horizonte a menina chorou.



domingo, 30 de outubro de 2011

Cautela

(Autoria: Fernanda)





Meticulosa a menina seguiu na selva de pedra.
Rosto sujo de graxa,
Era prudência diante das noites nas calçadas.
Taciturna deixava sua mudez acarinhar a garganta.
Porque o véu que cobria o mundo,
Se desvendava para ela através de um anjo.
Ela - Anjo, você não dorme?
Anjo - Não menina, os anjos só cuidam e reverenciam a Deus.
Ela - Estou com fome, você não sente fome anjo?
Anjo - Sim, de oração menina.
Ela - Queria sentir fome de oração também anjo, mas as minhas palavras saem fracas, como quem apenas dança, sem o ponto certo do equilíbrio.
Anjo - Não menina, suas palavras são orações, e sua fome nelas é olhada bem do alto.
Ela - Então vou dormir, minha fome passou. Boa noite anjo.
Anjo - Boa noite menina.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dia "D"

(Autoria: Fernanda)

Hoje eu não sei o que digo de mim.
O que sinto aqui são miscelâneas, misturas de riso e tristeza.
O universo é todo isso, uma mistura do amor e do ódio.
Sei que o que amplia em maior quantidade é a escolha de cada um.
Os meus olhos sentiram o sal do mar, escorrer por eles sem timidez, e minha face banhou-se de desabafos interiores.

Como seria se eu tivesse podido estar com você?
Será que eu seria tola?
Sonhei-te de costas para mim, e eu correndo em tua direção.

Uma criança e seu amor imenso, eu fui aquela que esperou tantas noites em claro.
E pedia “mãe não me dê as costas”, mesmo sem saber dizer uma palavra.
Todas as crianças vêm com seu próprio manual, eu trouxe o meu.
Eu senti teu coração bater junto com o meu.
Fiquei na tua barriga e herdei parte de ti.
Teus traços com certeza são aproximados ao meu.

Eu era aquela que não pediu nada, não entendeu nada e nasceu com o brilho do sol presenteando a manhã.
Um grão de areia num novo e desconhecido habitat.
Alguém me guiou até o entendimento, mas não lembro esta parte.
Só lembro quando percebi que havia um brilho bonito no céu, e aí eu já tinha 4 anos.
Foi minha primeira descoberta e me esforcei para falar estrela durante um tempo, mas “estela” ainda persistiu ali.

A frieza das noites era maior sem sentir teu amor.
Eu nunca soube o que foi que aconteceu.
Eu não entendi os motivos, mas procurei a melhor saída para não doer tanto meu coração.
O gelo se fez nas noites de inverno e houve vezes que eu gritei em frente ao mar a palavra “mãe me busca aqui”.
Ambas viramos caçadoras de sombras, procurando o que nunca podíamos tocar.

Um dia...
Sempre dizemos esta palavra, para arrumar algo, ou piorar as coisas.
Mas para nós não foi bem assim.
Um dia vinha verde como se supõe a esperança, e dava continuidade em mim.
Assim quando uma estação chega, logo acaba e vem uma outra e outra, mas a saudade sempre fica carregada de força, e sei que durará para sempre.

Meus olhos caminharam mais depressa que minhas pernas.
Eles buscavam , intuição de filha nos rostos das ruas.
Fiz muito isso sabe?
Mas não soube saber...
Direção, quer dizer tantas coisas, mas eu só queria que dissesse o endereço.

A chuva cai tão meticulosa, me molha sozinha, você não está.
Nós poderíamos ser um belo plural, mas não conheci assim.
Eu fui sempre singular até o momento que o sol brilhou e clareou todo o cinza.
Então eu vi a luz de olhares preciosos, de abraços fraternos tão apertados que rumei para ali e fui morar naquele carinho.

Sua barriga quele lugar não era meu, só me guardou por um tempo, o tempo que você não teve controle.
Eu desenvolvi e vim conhecer o mundo.
Mais nunca diga que é tarde demais para algo, temos todo o tempo do mundo se for a vontade de Deus.
Eu fui uma criança alegre e cresci na mesma alegria.

Você fez bem em não se voltar, eu sei que isso era para ser assim.
E sabe? Eu sempre te amei.
E esse amor foi tão milagroso por dentro de mim.
Há tantas chances para as coisas boas.
Suspirei fundo muitas vezes, para impedir que as lágrimas perdessem o controle, e me molhasse inteira.
Mais sempre chega o dia D.
Então não mais esperei , fui caminhar dentro de outros corações.